Há um enorme buraco entre a intenção de vencer uma eleição e o gesto de governar. Uma frente eleitoral que exclua os aliados do núcleo de poder, deixando-os à margem do governo, costuma trazer problemas para a administração e para uma eventual reeleição.
O polêmico vice-líder do PT, deputado federal e prefeito eleito de Maricá/RJ, Washington Quaquá, diz que a esquerda precisa do centro, e que para esta atração dar certo é preciso que apresente um projeto de país. Quaquá mira, em óbvio, a eleição de 2026 onde a esquerda vai enfrentar a extrema direita bolsonarista, e que só Lula poderá liderar esta unidade esquerda & centro:
A esquerda só pode governar bem se atrair o centro com um projeto concreto de crescimento que sinalize, por exemplo, qual deve ser o salário mínimo daqui a 20 anos, quando e como vamos zerar o déficit habitacional, qual tipo de educação técnica ou superior vai nos libertar do atraso cultural, como vamos superar os obstáculos impostos por algumas instâncias aos grandes projetos de investimento. Para que tudo isso aconteça, a esquerda brasileira precisa entender que Lula é muito mais do que seu líder. Ele é a expressão da nacionalidade, o único que pode conduzir a nação a um pacto de desenvolvimento e justiça rumo ao futuro.
Algumas questões postas na prescrição eleitoral feita por Quaquá: não basta construir uma frente eleitoral, se o governo não for, efetivamente, de uma frente. Ou seja, é preciso atrair o centro para a esquerda sem trair o centro na hora de governar. A extrema direita hoje vende mais e melhor para o centro disputado essa ideia de unidade, mas também com o mesmo defeito de origem: uma frente que vale só para a eleição, na hora de governar, no núcleo do poder, bastam os extremistas raiz.
Em tempo: a razão para qualificar de polêmica a figura pública do petista Washington Quaquá. Em 2023, Quaquá polemizou nas redes sociais ao publicar uma foto ao lado de general Eduardo Pazuello, deputado federal da extrema direita (PL-RJ), ministro da Saúde de Bolsonaro durante a gestão da pandemia da covid-19. Como mostrou o Estadão, o PT recebeu pedidos de que o deputado fosse expulso do partido. Do buraco da memória: o general Pazuello comandou a gestão de Bolsonaro, o ex-presidente da República que matou brasileiros pela omissão e incompetência no enfrentamento da pandemia no país.























