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ARTIGO

A Igreja e a Inteligência Artificial: Reflexões sobre a Encíclica Magnificat Humanitas

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O Papa Leão XIV lançou sua primeira Encíclica: Magnificat Humanitas (Magnífica Humanidade), um documento que joga luz sobre o olhar da Igreja Católica a respeito dos avanços tecnológicos. Ao longo de seus dois mil anos de história, a Igreja sempre acompanhou de perto essa evolução. Exemplo disso foi o pontificado de Nicolau V, Papa na época do lançamento da prensa de Gutenberg, cujo primeiro livro impresso, foi a Bíblia (1455).

Mais tarde, no pontificado de Pio XI, a Igreja uniu forças a Guglielmo Marconi para inaugurar a Rádio Vaticana (1931). Já sob o olhar de São João Paulo II, nasceu o Centro Televisivo Vaticano (CTV) (1983), permitindo a transmissão global das celebrações e eventos da Santa Sé. Fica evidente que a Igreja nunca se posicionou contra o progresso tecnológico, pelo contrário, sempre buscou enxergar nele uma oportunidade de evangelização, sem jamais deixar de alertar sobre seus benefícios e malefícios.

Essa postura histórica se repete agora. Durante o lançamento da encíclica, o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, afirmou que, se a Inteligência Artificial emerge em nossos dias, é porque o Espírito Santo reserva algo de benéfico para a sociedade a partir dela.

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Nesse novo documento, Papa Leão XIV nos convida a refletir sobre o uso ético e responsável da Inteligência Artificial. O Pontífice alerta para o risco do isolamento decorrente da busca por um conhecimento puramente individual, que ocorre quando o ser humano adota a IA como sua única e absoluta fonte de saber. A encíclica recorda que fomos feitos para a convivência. O conhecimento autêntico sempre floresceu na partilha social, como na relação clássica entre professor e aluno, um ambiente onde opiniões podem ser debatidas, refutadas e amadurecidas.

O Papa insiste que a IA não deve ser um vetor de solidão, mas sim um instrumento que potencialize os laços comunitários. Afinal, os impactos dessa tecnologia já são visíveis: se por um lado ela automatiza funções no mercado de trabalho, por outro, seu uso indevido já provoca desastres profundos, inclusive em conflitos bélicos.

Diante disso, o grande propósito da Magnificat Humanitas é despertar o senso crítico da sociedade em relação ao uso desmedido da tecnologia. É preciso evitar que a humanidade seja passivamente consumida por uma avalanche de dados. O texto pontua o perigo da desinformação na era da pós-verdade, um cenário onde a emoção se sobrepõe ao fato, fazendo com que o indivíduo absorva conteúdos sem qualquer reflexão.

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Essa preocupação dialoga diretamente com o pensamento de grandes intelectuais contemporâneos. O filósofo Byung-Chul Han, por exemplo, ao diagnosticar a “infocracia”, alerta para o momento em que o fluxo desenfreado de informação assume o lugar da própria democracia, questionando onde fica o papel do ser humano. Na mesma linha, Zygmunt Bauman, em sua clássica obra Modernidade Líquida, apontou como o ritmo acelerado das tecnologias pode romper valores tradicionais e instituir uma espécie de “ditadura tecnológica”, empurrando o indivíduo para longe da convivência fraterna para a qual foi criado.

Deixo aqui o convite para nos debruçarmos sobre as páginas da Encíclica Magnífica Humanidade. Que possamos criar grupos de estudo, promover trocas de experiências e difundir esse conteúdo, contribuindo ativamente para o amadurecimento do senso crítico e a participação social.

Raphael Leal é missionário da Canção Nova, Doutor e Mestre em Comunicação Social  e coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Canção Nova

Arquivo pessoal

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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