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MINHA CASA, MEU PUXADINHO

Abílio quer a Câmara de joelhos

O prefeito eleito Abílio Brunini (PL) parece tomado por uma louca obsessão: ter o total controle político da Câmara de Cuiabá. Ele atua abertamente no processo eleitoral interno do legislativo municipal para a escolher quais vereadores vão administrar o seu “puxadinho”.

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Abílio quer a Câmara de joelhos (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O prefeito eleito Abílio Brunini (PL) está aplicando, na prática, o seu bordão eleitoral favorito, “vamos pra cima”. Foi para cima dos vereadores eleitos, atuando como sujeito ativo no processo da eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá. Quer porque quer eleger a sua turma fiel para comandar o legislativo cuiabano. Confiante e arrogante, afirma nos bastidores que já tem os 14 votos necessários para inaugurar o “abilismo” no parlamento municipal.

Dono da sua lógica própria da “moralidade flexível”, Abílio pergunta (sempre só pergunta, tema para outro artigo): o que tem de mal ele conversar sobre a eleição na Câmara com os vereadores? Tem todo mal da política apequenada, fisiológica, da intervenção do executivo na autonomia do legislativo. Entre Freud e Maquiavel, há uma explicação para a louca obsessão de Abílio em dominar o processo eleitoral que diz respeito só aos vereadores. Ele viveu o inferno na Câmara como vereador cassado, agora quer viver o paraíso como prefeito, fazendo da Câmara o seu puxadinho particular. Para Abílio, a melhor posição do “sistema” é de joelhos, dobrado aos seus interesses.

“Movido a coca-cola zero e baguncinha, Abílio é um trator querendo esmagar a oposição e reduzi-la a pó.”

A imposição de candidatura do “abilismo” mais atrapalha do que ajuda a vereadora Paula Calil (PL). Ela disputa o comando do Legislativo apoiada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), mas nestes termos de dominação total: tem que ser ela, só pode ser ela. Abílio quer, Abílio manda, os demais vereadores obedecem. Ou seja, as colegas e os colegas do parlamento olham para Paula e só enxergam Abílio. Não há nada pior do que, em qualquer disputa interna no legislativo, um candidato ou uma candidata ser o nome imposto pelo prefeito, governador ou presidente de plantão. É um tiro no pé. Abílio, “vamos pra cima”, faz mais mal do que bem à candidatura da vereadora Paula.

Movido a coca-cola zero e baguncinha, Abílio é um trator querendo esmagar a oposição e reduzi-la a pó. O vereador Jeferson Siqueira (PSD), apoiado pela oposição ao prefeito eleito, sabe que enfrenta uma disputa desigual, posta nos termos do toma lá, dá cá. Com a política reduzida aos recortes rasos das redes sociais, a população cuiabana não vê o real: uma Câmara domesticada pelo prefeito é um caminho perigoso para uma gestão sem controle. Quem perde é o cidadão-contribuinte.

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