
O veto do Carrefour França à compra de carne proveniente de países do Mercosul provocou uma reação entre produtores rurais brasileiros e levou a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) a se pronunciar. O CEO do grupo na França, Alexandre Bompard, publicou nesta quarta-feira (20.nov.2024) uma carta defendendo a decisão de suspender a aquisição de carnes da região, alegando que os produtos sul-americanos não atendem às normas francesas.
A medida foi justificada como uma resposta à pressão dos produtores franceses, que enfrentam dificuldades para competir com as importações. No Brasil, o Grupo Carrefour afirmou que a decisão não afeta as operações locais. “Nada muda nas operações no país”, disse a varejista em comunicado.
A Acrimat, que representa o maior rebanho bovino do Brasil, repudiou a decisão e classificou a medida como uma estratégia protecionista disfarçada de preocupação ambiental. Em uma nota assinada pelo presidente Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, a entidade afirmou que “o produtor rural brasileiro está cansado de ser tratado com desrespeito aqui dentro e mundo afora”.
A Acrimat acusou a França de impor barreiras comerciais sob o pretexto de proteção ambiental, citando a Lei Antidesmatamento da União Europeia, que proíbe a importação de produtos de áreas desmatadas a partir de 2022. “Temos um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo e o cumprimos. Qual o motivo de tanto teatro?”, questionou a associação.
A entidade ainda sugeriu que os produtores brasileiros suspendam o fornecimento de gado para frigoríficos que vendem para empresas como o Carrefour. “Chega de hipocrisia no mercado, principalmente pela França, um país que sempre foi nosso parceiro comercial, vendendo desde queijos, carros e até aviões para o Brasil e nos trata como moleques”, traz um trecho do texto assinado por Ribeiro Junior.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também rechaçou a declaração do Carrefour França. Em nota, destacou o compromisso da agropecuária brasileira com a legislação e as boas práticas internacionais, ressaltando a qualidade dos produtos nacionais.
Leia a nota da Acrimat na íntegra
NOTA OFICIAL: RECIPROCIDADE JÁ!
O produtor rural brasileiro está cansado de ser tratado com desrespeito aqui dentro e mundo afora.
O protecionismo econômico de muitos países se traveste de protecionismo ambiental criando barreiras fantasmas para tentar reduzir nossa capacidade produtiva e cada vez mais os preços de nossos produtos.
Todos sabem que é difícil competir com o produtor rural brasileiro em eficiência. Também sabem da necessidade cada vez maior de adquirirem nossos produtos pois além de alimentar sua população ainda conseguem controlar preços da produção local.
A solução encontrada por esses países principalmente a UE e nitidamente a França, foi criar a “Lei Antidesmatamento” para nos impor regras que estão acima do nosso Código Florestal. Ora se temos uma lei, que é a mais rigorosa do mundo e a cumprimos à risca qual o motivo de tanto teatro? A resposta é que a incapacidade de produzir alimentos em quantidade suficiente e a também incapacidade de lidar com seus produtores faz com que joguem o problema para nós.
Outra questão: Por que simplesmente não param de comprar da gente já que somos tão destrutivos assim? Porque precisam muito dos nossos produtos mas querem de graça. Querem que a gente negocie de joelhos com eles. Sempre em desvantagem. Isso é uma afronta também à soberania nacional.
O senador Zequinha Marinho do Podemos do Pará, membro da FPA, tem um projeto de lei (PL 2088/2023) de reciprocidade ambiental que torna obrigatório o cumprimento de padrões ambientais compatíveis aos do Brasil por países que comercializem bens e produtos no mercado brasileiro.
Esse PL tem todo nosso apoio porque é justo e recíproco, que em resumo significa “da mesma maneira”.
Os recentes casos da Danone e do Carrefour, empresas coincidentemente de origem francesa são sintomáticos e confirmam essa tendência das grandes empresas de jogar para a plateia em seus países- sede enquanto enviam cartas inócuas de desculpas para suas filiais principalmente ao Brasil.
A Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat), Estado com maior rebanho bovino do País e um dos que mais exporta, repudia toda essa forma de negociação desleal e está disposta a defender a ideia da suspensão do fornecimento de animais para o abate de frigoríficos que vendam para essas empresas.
Chega de hipocrisia no mercado, principalmente pela França, um país que sempre foi nosso parceiro comercial, vendendo desde queijos, carros e até aviões para o Brasil e nos trata como moleques.
Nós como consumidores de muitos produtos franceses devemos começar a repensar nossos hábitos de consumo e escolher melhor nossos parceiros.
Com toda nossa indignação.Oswaldo Pereira Ribeiro Junior
Presidente da Acrimat

















