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Clébio José Machado de Lima apontado como mandante da Chacina Lá Mané absolvido
Clébio José Machado de Lima e Marrquessemedici Corrêa dos Santos, conhecido como Marcos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri, na madrugada desta quarta-feira (19.04) da acusação de serem o mandante e o executor, respectivamente, do caso conhecido como Chacina Lá Mané. O julgamento teve início nesta terça-feira (18.04), por volta das 9 horas e seguiu até a 1h50 desta quarta, 22 anos após o crime.
O crime aconteceu no dia 8 de abril de 2001. O pai de Clébio, o comerciante Manoel Sebastião de Lima, 48 anos, conhecido como “La Mané”; a esposa, Ivone Socorro da Silva; o filho deles, Manoel Sebastião de Lima Júnior, 8 anos; e o sobrinho do casal José Davi Rodrigues de Lima, 11, foram executados com vários tiros em uma estrada na região do bairro Pedra 90, em Cuiabá. A mulher foi a única sobrevivente.
O Tribunal do Júri foi conduzido pela juíza Mônica Catarina Perri. “Assim, atenta à soberana decisão do Conselho de Sentença, a qual estou vinculada, absolvo os acusados Clébio José Machado de Lima e Marrquessimedice Correa dos Santos, qualificado nos autos, o que faço com fundamento no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal”.
Na sustentação oral, o promotor de Justiça Samuel Frungilo criticou a tentativa dos réus de incriminarem a única vítima sobrevivente, Ivone Socorro da Silva. Clébio José alegou inocência e tentou afirmar que o crime teria sido praticado por um suposto amante da madrasta. “Chega a ser nojenta a tentativa do acusado e de pessoas ligadas a ele, tia, irmão, de levantar suspeitas contra Ivone. Ela contratou alguém pra atirar no filho de 8 anos, ela contratou alguém pra atirar nela mesma?”, criticou o promotor.
Ivone foi a única sobrevivente da chacina. Depois de ser atingida por nove tiros na região da cabeça, nuca, nas costas e nos braços, ela caminhou por horas até posto de combustível, às margens da BR-364. Em depoimento, ela contou que enquanto mantinha as vítimas rendidas, Marrquessemedici teria cogitado estuprá-la, mas foi contido por Marcos Ribeiro de Campos, o “Cenoura”, também apontado como executor, mas já falecido.
“Ele (Marrquessemedici) passou mão na minha bunda. Ele cheirou cocaína. Era umas 7h30 da noite. Quando o Cenoura chegou, ele (Marquessemedici) falou que queria me estuprar. O Cenoura falou que a ordem era pra matar todo mundo”, contou Ivone.
A sobrevivente relatou ainda que mesmo após ser baleada conseguiu perceber que o esposo e o sobrinho já tinham morrido, mas que o filho ainda estaria vivo. “Quando eles foram embora meu filho estava agonizando. Eu não tinha mão pra levantar meu filho. Uma mãe dá uma vida pelo filho e eu não podia fazer nada pelo meu”, relatou a vítima.
Clébio e Marrquessemedici também foram ouvidos pelo Júri e negaram qualquer envolvimento com o crime. O filho de Lá Mané disse que estava em uma chácara com a então namorada e que jamais tentaria contra a vida do pai. Os dois réus tentaram alegar uma armação por parte da Polícia Civil e disseram que chegaram a ser torturados para confessar o crime. Mas a tese foi rebatida pelo Ministério Público.
Nas sustentações, os advogados de defesa de Clébio e a Defensoria Pública, por sua vez, alegaram falta de provas técnicas no processo e falaram que a acusação de baseou apenas em ilações.
Além da sobrevivente, foram arroladas pela acusação outras cinco testemunhas. A defesa de Marrquessimedice indicou duas, mas uma pessoa já faleceu e a defesa de Clébio indicou quatro, sendo que uma não compareceu.























