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Paccola foi o autor do projeto que pretendia criar o Dia do Orgulho Hetero
Por 18 votos não, 2 votos sim e uma abstenção, a Câmara de Vereadores de Cuiabá derrubou na sessão ordinária desta quinta-feira (10.03), o projeto de lei que pretendia criar o Dia do Orgulho Hetero em Cuiabá. A virada no placar ocorre após a polêmica em torno do tema e da pressão sobre os parlamentares que, em dezembro, em primeira votação, votaram favoráveis ao projeto por 19 votos a 1. Desta vez apenas o vereador autor do projeto, Tenente Coronel Marcos Paccola (Cidadania), e Adevair Cabral (PTB) foram favoráveis à criação da data.
A despeito do fato de a violência contra pessoas LGBTQI+ ser um fenômeno forte e histórico no Brasil e em Mato Grosso, na proposta, Paccola aponta que a Constituição Federal estabelece o princípio da igualdade e que “tal garantia não pode ser restrita às minorias”. O autor ainda afirma que a propositura visa atender à defesa “dos valores conservadores e da manutenção do modelo tradicional de família”.
Antes da votação, Paccola tentou justificar mais uma vez a criação da data em homenagem às pessoas heterrosexuais. “Este projeto em momento algum tem intuito de desmerecer as lutas das minorias, sejam elas quaisquer. Esse projeto tem por objetivo elevar o debate, de tentar fazer com que as pessoas reflitam sobre a desconstrução que vem sendo feita. Essa propositura é para uma reflexão. O alicerce da sociedade é a família. E não estou dizendo que casal gay não seja uma família. Defendo as minorias e repudio questões contra a integridade dessa minoria”, disse o parlamentar. Em seguida, tentou convencer os demais vereadores a votarem a favor do projeto. “Conclamo aqueles que se colocam seguidores dos preceitos cristãos“, completou Paccola. Mas foi em vão.
“É uma piada de mau gosto. Peço aos vereadores que defendem os direitos humanos, inclusive os que se dizem cristãos, não votem nesse projeto. Não façam nossa cidade de Cuiabá ser ridicularizada. Vamos defender quem precisa”
O vereador Robinson Cireia (PT) usou o momento de debate para criticar a proposta. “Acho muito descabido votar uma coisa dessa, valorizar um dia para quem não sofre nenhuma violência. Temos o dia da Consciência Negra porque eles foram escravizados, sofrem com racismo. Temos o Dia Internacional da Mulher porque elas sofrem violência, têm salário menor e todos os dias são afrontadas. Se foi criado um Dia do Orgulho LGBTQIA+ é porque essas pessoas são violentadas, são atacadas. Quando o senhor coloca um projeto para valorizar o dia hetero, você ridiculariza toda a luta. Em defesa da vida dessas pessoas, não pode se votar um projeto desse. É uma piada de mau gosto. Peço aos vereadores que defendem os direitos humanos, inclusive os que se dizem cristãos, não votem nesse projeto. Não façam nossa cidade de Cuiabá ser ridicularizada. Vamos defender quem precisa”, argumentou Cireia.
“Que bom que o processo legislativo tem duas oportunidades. Fui um daqueles que votou sim no primeiro momento. Como tem o orgulho de um grupo, por que não ter o orgulho do hetero? Mas refletindo e contextualizando, me rendo ao argumento do Robinson Cireia. Sem sombra de dúvidas, isso vai ser uma piada nacional. Não sao eles que são estigmatizados, excluídos, sofrem violência no dia a dia. Por isso que decidi mudar meu voto. Sem sombra de dúvidas, os heteros são maioria, hegemônicos no grupo social, e não há de falar de qualquer tipo de discriminação”, disse o vereador Mário Nadav (PV).
Com a votação, o projeto de lei que criaria o Dia do Orgulho Hetero foi rejeitado e arquivado.
Veja abaixo como ficou a votação. Em vermelho, os votos “não”; em verde, os votos “sim”. Em azul, a abstenção e, em branco, os ausentes.




















