Pesquisar
Close this search box.
LUTA POR CUIDADO

Às vésperas do aniversário de 95 anos, idosa luta por home care negado pela Unimed

Publicidade

No próximo dia 21 de dezembro, Tereza Mendonça Cintra da Silva vai completar 95 anos. Em quase um século de vida, boa parte deles vividos em Cáceres (a 215 Km de Cuiabá), Tereza trabalhou tanto quanto seu corpo permitiu: foi lavadeira na beira do rio Paraguai, merendeira e vendedora de roupas. Por um bom tempo, com os filhos pequenos, trabalhou além do serviço doméstico para ajudar o marido, que era pedreiro e pescador, a prover a casa.

A idosa de quase 100 anos enfrenta hoje uma luta por cuidado que passa pela Justiça e pela Unimed Cáceres, plano de saúde que se recusa a garantir home care para que ela possa ser tratada em casa e corra menos riscos no hospital.

Parece uma dura ironia que a expressão “home care” (que pode ser traduzida como cuidado em casa) resuma bem a forma como Tereza transformou o cuidado em um ato doméstico. “A minha vó quer todo mundo bem, inclusive os bichos. Quando ela ainda tinha mobilidade boa, sempre que você chegasse na casa dela, em qualquer horário, tinha muita comida, café, chá, leite e pão. Ela gosta de fartura porque, segundo ela, passou muita necessidade”, diz uma familiar.

Tereza criou 10 filhos, três deles adotivos, que eram filhos da sua cunhada, falecida no parto do caçula. Após a morte do marido, acometido de câncer de pulmão, virou vendedora de lingerie, um negócio que a ajudava a complementar a pensão recebida pela morte do companheiro.

“Vovó sempre foi ativa, era difícil de encontrar em casa, estava sempre na casa de alguma amiga, no supermercado ou ajudando a cuidar de um neto”, conta uma das familiares de dona Tereza.

Leia Também:  Mãe de Raquel Cattani pede pena máxima aos réus: "mas isso não vai trazê-la de volta”

Em 2023, com a idade avançada, passou a usar andador. Para se divertir, aprendeu a passar o tempo com livrinhos de caça-palavras, ensinada por uma de suas netas. Em 2024, ela ficou ainda mais incapacitada, após quebrar o fêmur e passar por meses de recuperação. Em 2025, veio a descoberta de uma doença que a incapacitou ainda mais e fez com que ela e a família vivessem a luta em busca de cuidado.

Aos 95 anos, Tereza Cintra luta pelo cuidado que sempre teve com filhos e netos

A luta por cuidado

A descoberta da doença neste ano ocorreu após um exame de rotina, quando Tereza foi diagnosticada com uma arritmia cardíaca e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), ocasionadas provavelmente pelos tempos de tabagismo e pelo trabalho à beira do fogão à lenha, objeto comum para uma dona de casa que nasceu em 1930. 

Desde então, Tereza vive um périplo de ir e voltar de hospitais. A idosa foi internada diversas vezes desde setembro de 2025, até que os médicos vaticinaram: ela precisa de atendimento home care. No hospital, corria risco de infecção e realizar cirurgia seria inviável para um corpo de quase 100 anos. 

Sem respaldo inicial da Unimed, a família procurou a justiça. Em 27 de setembro, uma decisão judicial deferiu o pedido. Se não concedesse home care, o plano de saúde teria que pagar multa diária de R$ 500, limitada a R$ 20 mil. A decisão foi descumprida e a justiça aumentou a multa: R$ 1 mil de multa diária, até R$ 30 mil.

Em seguida, a Unimed entrou com recursos. A justificativa é de que o serviço de home care é uma “liberalidade” e não uma obrigação legal e que o contrato com Tereza possui cláusula de exclusão de cobertura para atendimento domiciliar.

Leia Também:  Juiz manda interditar cadeia por superlotação e intima Governo a transferir presos

“A arritmia cardíaca e a DPOC são doenças silenciosas, que aos olhos de pessoas leigas como nós familiares, alguns sintomas passam despercebidos, por mais que fiquemos 24 horas cuidando dela”, completa.

Tereza aprendeu desde cedo que o cuidado fazia parte da sua vida: tratava de pessoas com deficiência, oferecia comida, abrigo. Por onde passava, entregava algum tipo de afeto. Muitas vezes esbarrando na moral e nos “bons costumes” que tentam impedir o carinho com o próximo, como quando pedia para cuidar dos filhos de mulheres-damas nos lupanares de Cáceres, onde ganhava dinheiro vendendo roupas.

“A forma dela agradar e mostrar que você é importante para ela é dando presentes e estando presente de alguma forma. Ela se lembra de todas as pessoas que cruzaram o seu caminho e faz questão de saber como está aquela pessoa. A minha vó sempre chora em despedidas por medo de não saber quando haverá um próximo encontro”, resume a neta.

O que diz a Unimed

A reportagem do PNB Online procurou a assessoria de imprensa da Unimed Cuiabá com questionamentos sobre a situação de Tereza, mas até o fechamento deste reportagem nenhuma resposta foi enviada. Segundo a assessoria, no entanto, esclarecimentos deveriam ser buscados com a Unimed Cáceres, que não possui assessoria de imprensa.

A reportagem tentou contato com o atendimento ao cliente da Unimed, fornecendo os dados da paciente. Até o fechamento desta edição nenhuma resposta foi enviada.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza