
O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum concluiu, nesta sexta-feira (23.01), o julgamento de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo assassinato da produtora rural Raquel Cattani, ocorrido em julho de 2024. Após 16 horas de julgamento, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados, decidiu pela condenação dos réus.
Os jurados reconheceram a prática do crime de homicídio e consideraram as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Pena aplicada
Ao final da sessão, a juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski fixou as seguintes penas: Rodrigo Xavier Mengarde foi condenado à pena de 33 anos de reclusão, em regime fechado, sendo 30 anos o limite máximo de pena previsto na legislação penal brasileira, pelos crimes de homicídio e furto. Já Romero Xavier Mengarde, ex-marido de Raquel, deve cumprir 33 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, pena que corresponde também ao máximo legal permitido.
Com o encerramento do julgamento, os réus permanecem presos.

O caso
Raquel Cattani foi assassinada com golpes de faca dentro da residência dela, no assentamento Pontal do Marape, na zona rural de Nova Mutum, em julho de 2024. Segundo a Polícia Civil, Romero Xavier pagou R$ 4 mil ao irmão Rodrigo Xavier para matar Raquel. “Tanto na entrevista quanto em interrogatório, ele afirmou categoricamente que recebeu R$ 4 mil para cometer o crime, e inclusive já havia utilizado R$ 1.500 para comprar um carro”, contou o delegado Guilherme Pompeo, em entrevista coletiva à época do crime.
Durante a análise no local do crime, um investigador notou que a janela do quarto dos filhos da vítima havia sido arrombada. Diante dessa evidência, foi solicitada a extração de eventuais impressões digitais, que foi realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec).
A equipe da Polícia Civil apreendeu um televisor que continha também algumas pegadas. “Questionamos o porquê alguém tentaria levar uma televisão em uma motocicleta. Tal evidência sugeriu que aquele televisor foi deixado de forma proposital para fora da casa com o intuito de complicar a investigação”, acrescentou o delegado.
As diligências prosseguiram e, diante da desconfiança de uma cena que poderia ter sido armada, a atenção foi voltada ao ex-marido, Romero Xavier, que mantinha comportamento possessivo e não aceitava o término da relação com a vítima.
Em novos levantamentos, a Polícia Civil descobriu que o irmão de Romero, o réu Rodrigo Xavier, tinha diversas passagens por furtos e outros crimes, além de ter sido usuário de entorpecentes no passado.

Confissão e prisão
Equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos e da Regional de Nova Mutum foram até o endereço de Rodrigo, na cidade de Lucas do Rio Verde. Após horas de vigilância, ele chegou na residência e, ao ser entrevistado, apresentou muito nervosismo com a presença dos policiais.
Da porta que estava aberta, as equipes observaram um frasco de perfume feminino, em cima de uma bancada. Diante da evidente suspeita, ele confessou o homicídio de Raquel Cattani.
Na casa foram encontrados frascos de perfumes, um aparelho de som, um cinto, um porta-celular e uma faca, todos os objetos pertencentes à vítima.
A polícia reuniu informações que esclareceram que Rodrigo praticou o crime a mando do irmão, Romero. E levou alguns objetos da casa para simular um latrocínio e embaraçar as investigações da Polícia Civil.
O delegado Guilherme Pompeo destacou ainda que durante a prisão de Rodrigo foi verificada que a bota que ele utilizava no momento possuía total semelhança com a pegada encontrada na televisão na casa da vítima.
Simulou comoção
O autor intelectual do homicídio de Raquel trouxe o irmão no próprio carro e o deixou escondido nas proximidades do sítio PH, de propriedade de Raquel Cattani. Ao longo do dia, Romero almoçou com o ex-sogro e, inclusive, chorou na frente dos familiares da vítima. Após almoçar com o sogro, levou os filhos do casal para Tapurah a fim de criar o álibi e afastá-los do crime planejado.
Durante a tarde do dia 18 de julho, ele chamou algumas pessoas com quem nem tinha muita convivência para beber e assar carne. No período da noite, foi a três boates em Tapurah para reforçar o álibi de que estaria na cidade e, assim, não seria considerado o principal suspeito.
Por outro lado, Rodrigo ficou à espreita da vítima até ela chegar ao sítio. Romero sabia da rotina de Raquel e de forma planejada havia retirado o casal de filhos da residência anteriormente.
Ao chegar no sítio por volta de 20 horas, a vítima foi atacada com uma faca e morreu no local. Em seguida, Rodrigo roubou alguns objetos da casa, quebrou a televisão na parte de fora da casa e levou a moto da vítima com destino a Lucas do Rio Verde.
O executor do crime jogou a moto, o celular e a faca do crime em um rio da região.
























