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CRESCIMENTO AGRESSIVO

Avanço acelerado de farmácias de rede em Cuiabá pressiona pequenos negócios

Capital ganhou cerca de 200 novas unidades desde 2023, majoritariamente de grandes redes; sindicato aponta fechamento de lojas familiares e concentração de faturamento.

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(Foto: Reprodução)

O crescimento acelerado das farmácias de rede em Cuiabá tem redesenhado o varejo farmacêutico da capital e imposto dificuldades à sobrevivência de pequenos negócios familiares. Estimativas do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Mato Grosso (Sincofarma) indicam que o número de farmácias e drogarias na cidade saltou de cerca de 400, em 2023, para quase 700 atualmente, com a maior parte das novas aberturas vinculada a grandes grupos.

“Abrem muitas grandes e fecham muitas pequenas”, resume o presidente do Sincofarma, José Parolin, que afirma que o cenário é preocupante. Em Mato Grosso como um todo, a estimativa do Sincofarma é de que existam entre 2.600 e 2.800 farmácias em funcionamento, número que também vem crescendo nos últimos anos, seguindo uma tendência nacional.

Dados do Sebrae apontam que, apenas em 2025, cerca de 6 mil novas farmácias foram abertas no Brasil. O país soma hoje mais de 94 mil estabelecimentos e um faturamento anual de R$ 235 bilhões, de acordo com a consultoria IQVIA. Um relatório da RB Investimentos indica que o Brasil tem, em média, quase cinco farmácias para cada 10 mil habitantes, proporção que sobe para 6,1 na região Centro-Oeste, a mais elevada do país.

O mesmo estudo destaca que a percepção de “excesso de farmácias” é mais intensa em grandes cidades, onde há saturação do mercado e guerra de preços. Capitais como Cuiabá tendem a sentir de forma mais aguda os efeitos da concentração e do fechamento de pequenas unidades.

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Bairro concentra quase dez farmácias em uma mesma avenida

Na prática, essa pressão se materializa no cotidiano de quem tenta manter um negócio independente. No bairro Jardim Imperial, a proprietária Pierina Motanesi comanda, ao lado do marido, uma farmácia familiar instalada há três anos na avenida das Palmeiras. Apenas nessa avenida, são oito farmácias; na região, 14 ao todo, entre redes e estabelecimentos independentes.

“Acho que pressiona, sim, principalmente por questão de preço”, diz Pierina. Segundo ela, as grandes redes conseguem comprar medicamentos em grandes quantidades e, assim, vender mais barato.

Para sobreviver, a estratégia passa por diferenciação. “Nosso diferencial é o atendimento. É por meio dele que a gente fideliza o cliente. Então, há uma questão de confiança nessa relação”, afirma. A farmácia também oferece entrega gratuita na região, serviço que nem sempre é disponibilizado pelas grandes redes. O negócio funciona exclusivamente com mão de obra da família, o que ajuda a reduzir custos fixos.

Custos como aluguel e a obrigatoriedade de manter um farmacêutico responsável técnico também são apontados como fatores de pressão, sobretudo para quem não tem um profissional na família.

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Apesar do cenário, Parolin afirma que há pouco espaço para intervenção. “A livre concorrência é um princípio constitucional. Se a empresa está cumprindo a lei e pagando impostos, está tudo certo”, diz. Ele acrescenta que, na prática, é quase impossível comprovar concorrência desleal no Brasil, já que a legislação exige demonstrar domínio superior a 40% do mercado, o que implicaria acesso a dados fiscais sigilosos.

Foto de farmacia com ofertas em medicamentos em cuiabá
(Foto: Reprodução)

O processo de consolidação, no entanto, é apontado como tendência estrutural. O relatório da RB Investimentos indica que, embora o mercado ainda seja pulverizado, as grandes redes já concentram cerca de 33% das farmácias brasileiras. A maior empresa do setor detém 16,2% da fatia de mercado nacional.

As projeções citadas no relatório indicam crescimento médio de 3% ao ano no número de lojas e de 12% no faturamento, impulsionado pelo envelhecimento da população, pela digitalização e pela ampliação de serviços clínicos nas farmácias. Até 2030, o Brasil pode alcançar mais de 121 mil estabelecimentos, com faturamento estimado em R$ 430 bilhões.

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