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FERTILIZANTES

Audiência em MT debate uso de minerais para baratear insumos do agronegócio

Discussões seguem até quarta (3) com foco em alternativas à dependência de insumos importados.

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Audiência em MT debate uso de minerais para baratear insumos do agronegócio
Audiência em MT debate uso de minerais para baratear insumos do agronegócio (Foto: Assessoria)

Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (1º), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, abriu a programação de três dias dedicada ao papel da mineração na produção agrícola e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O encontro integra o Workshop Agrominerais e a Política de Fertilizantes do Brasil e o XVIII GEO Políticas: O Setor Mineral e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, sediados na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Cuiabá.

O evento foi solicitado pela deputada estadual Sheila Klener (PSDB), geóloga e presidente da Associação Profissional dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (Agemat). A parlamentar defendeu que a mineração seja desenvolvida com responsabilidade socioambiental e destacou o potencial de aproveitamento local. “Você já extraiu a rocha, o bem mineral já está aqui. Um reprocessamento pode transformar rejeitos em insumos para a agricultura”, afirmou.

O presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), Caiubi Kuhn, relacionou a discussão ao cenário internacional. Para ele, reduzir a dependência de fertilizantes importados é estratégico diante das incertezas no comércio global. “Se conseguirmos diminuir em 10% as importações, teremos impacto bilionário, geração de empregos e mais segurança para os produtores”, disse.

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O presidente da AMM, Leonardo Bortolin, ressaltou que a mineração pode fortalecer a balança comercial do estado. Já a adjunta de Licenciamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Lilian Ferreira, defendeu que mineração e sustentabilidade não são opostos. “É impossível falar em ODS e combate à fome sem ampliar o acesso seguro à produção mineral”, afirmou.

Representantes de instituições profissionais e do governo também reforçaram o caráter estratégico do tema. A secretária adjunta da Sedec, Linacis Roberta Lisboa, lembrou que Mato Grosso é, ao mesmo tempo, o maior produtor agrícola e o maior importador de fertilizantes do país. “Essa vulnerabilidade precisa ser enfrentada. O estado já tem um plano de fertilizantes alinhado ao nacional”, disse.

Palestras e mesas temáticas

Após a audiência, o representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, José Carlos Polidoro, abriu a programação técnica com palestra sobre desafios da produção nacional de agrominerais. Ele defendeu que a política de fertilizantes seja tratada como política de Estado. “O Brasil importa mais de 90% do que consome. Poderíamos ter corrigido esse problema”, afirmou.

O chefe do Serviço Geológico do Brasil em Cuiabá, Anderson Alves de Souza, explicou que estudos sobre agrominerais já têm ao menos duas décadas no país. Segundo ele, minerais como o pó de rocha podem melhorar propriedades do solo e reduzir a dependência de adubos químicos.

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O mestre Douglas Leite de Brito, da Sedec, apresentou dados sobre remineralizadores: nos últimos quatro anos, foram produzidos 7,2 milhões de toneladas no Brasil, mas a utilização ainda cobre apenas 2% das áreas agrícolas. “Mato Grosso, maior produtor agrícola e importador de fertilizantes, ainda não é protagonista na produção desses insumos”, disse.

Na sequência, o professor Francisco Egídio Cavalcante Pinho destacou o potencial das rochas alcalinas de Mato Grosso para a oferta de fertilizantes alternativos. Ele apresentou imagens e estudos que indicam o papel desses recursos no desenvolvimento regional.

Organização

O encontro é promovido pela Febrageo em parceria com a Agemat, a Associação dos Geólogos de Cuiabá (Geoclube) e o Sindicato dos Geólogos de Mato Grosso (Singemat). Conta ainda com apoio da Faculdade de Geociências da UFMT e do Ministério da Agricultura e Pecuária. A programação segue até quarta-feira (3), com palestras, mesas de debate e cursos.

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