Divido aqui com a jornalista Laís Costa Marques, a experiência do chamado “Jornalismo de Afetos”, matérias especiais que celebram gente que merece ser celebrada pelo trabalho e pelo caráter. Fizemos, recentemente, uma matéria deste novo gênero de jornalismo (é uma bem-humorada conceituação, sem nenhum rigor acadêmico), na passagem do aniversário do jornalista e professor aposentado da UFMT Tinho Costa Marques.
Agora é a vez de celebrar um personagem que merece, também, todas as nossas homenagens: o jornalista, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisador Benedito Diélcio Moreira, que completa 70 anos de idade neste dia 25 de junho de 2025. Pequenas notas sobre o grande aniversariante do dia:
– Diélcio é um amigo para se guardar, gente da melhor qualidade, bom caráter, exemplo de respeito e educação no trato com as pessoas.
– Diélcio é um nome na história da Televisão em Mato Grosso. Ele foi o criador, ao lado do jornalista Antero Paes de Barros, na metade da década de 1990, da programação de perfil popular da então TV Gazeta, hoje TV Vila Real, do Grupo Gazeta de Comunicação.
– Diélcio é meu parceiro de pesquisas e trabalhos acadêmicos. Dividimos a liderança do Grupo de Pesquisa Multimundos/UFMT e estudos sobre uma nova forma de escritura de ciência: o Ensaio Audiovisual Científico. Quero destacar dois trabalhos desta parceria intelectual com Diélcio da qual sou imensamente grato: o livro Comunicar Ciência, lançado em 2024 e o nosso primeiro Ensaio Audiovisual Científico realizado em 2019 para a Revista espanhola Tecmerin .
A partir daqui esta matéria especial sobre os 70 anos de Benedito Diélcio Moreira é comandada pela jornalista Laís Costa Marques.
Abaixando muros, rompendo fronteiras
Se fosse um currículo lattes, esta matéria poderia ficar um pouco cansativa pela extensão que teria. Diélcio Moreira é um pesquisador ativo da Comunicação. Ingressou na década de 90 na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e, desde então, iniciou uma bela trajetória pela arte de produzir ciência. Uma trajetória, diga-se de passagem, marcada justamente por contrapor os métodos mais ortodoxos da produção científica, com os olhos voltados para além dos muros da academia.
Mas essa matéria não é sobre o pesquisador. Ou, pelo menos, não é só sobre o pesquisador. Ao longo dos relatos recebidos, percebemos que falamos de um ser humano que busca construir pontes, romper os estereótipos e pensar além do que está posto.
Seja no trato gentil e ao mesmo tempo provocador com um orientando. Nas histórias contadas para uma criança curiosa. Ou, ainda, na concepção e edição de um jornal de vanguarda. Diélcio foi, é, e continuará sendo uma mente fervilhante que viu na educação e na comunicação as ferramentas de transformação.
E isso é contado por meio de carinhosas mensagens encaminhadas por seus companheiros de vida e de jornada.
Parabéns, Diélcio. Que privilégio ter você por aqui.

O companheiro de caminhada
Querido Dielcio, “Di”. São teus os 70 anos vividos e há 35 caminhamos juntos.
Sim, isso tem sido uma dádiva. Sabedoria, serenidade, gentileza, generosidade e honestidade são tuas virtudes. Sua inteligência e humor fazem da vida algo bem mais leve. Obrigada por dividir tudo isso com a gente.
Parabéns pela tua vida, com todo amor que nos permitimos viver.
Luciana Borges
A ponte do bem
Eu acredito que nosso pai nos guiou sabiamente e nos amou (ama) incondicionalmente em cada detalhe. Nos levou passo a passo com uma visão que sempre alcançava lá na frente. Ele tem uma história incrível, e o que mais se admira em toda a história é sua serenidade e bondade. Além disso, ele é a ponte, que une as pessoas. Tem uma frase que pode revelar muito sobre ele: “faz o bem sem olhar a quem”.
Amy Borges Moreira
O Abacateiro
Ele costumava me contar histórias para dormir, histórias de fantasia, histórias do abacateiro que ele “tinha” no quintal da casa dele. Está em aspas pois questionamos a veracidade dessa história, dizem que nunca houve um abacateiro. Ele me ensinou a sonhar e me apoiou em todos eles. Ele é metafórico, filosófico, retórico e todas as nuances possíveis de uma mente pensante. Ele me ensinou a pensar, a refletir, a debater. Cursei jornalismo como ele, e apesar de não praticar essa profissão, entendi a capacidade dele de sempre querer saber mais de uma história – “quem”, “o quê”, “onde”, “quando”, “como” e “por quê”. Dentre muitas coisas, Pai, eu sou muito grata por ter me dado a vida e o prazer de vivê-la. Eu amo a forma como sou e tenho muito disso de você e da mamãe. Felicidades pelos seus 70 anos. Te amo com todo o meu coração.
Ana Beatriz Borges Moreira, Bibi
Uma vida a ser celebrada
Pai, parabéns pelos seus 70 anos!
Setenta é um marco importante — uma vida tecida de histórias, moldada por desafios e marcada pelas mudanças.
Chegar até aqui não é pouca coisa. É sinal de resiliência, de dias vividos entre enfrentamentos e encantos, e de um caminho que é só seu.
Neste dia especial, desejamos manhãs tranquilas, saúde constante e momentos de sossego e alegria serena. É um tempo que merece ser reconhecido e celebrado. Que venham novos capítulos.
Com carinho,
Dedéa, Ian, Islay e Raasay
Diélcio e a comunicação mato-grossense
Conheci Délcio Moreira na década de 1980. Eu trabalhava no jornal Diário de Mato Grosso, que depois virou o Jornal do Dia. O Diélcio Moreira foi responsável pela criação do extraordinário Fim de Semana, um caderno cultural que deveria ser revisitado pelos estudantes de jornalismo de Mato Grosso, porque era feito com tanta qualidade, mas com tanta qualidade, que marcou a edificação cultural jornalística do estado de Mato Grosso.
Mais tarde, eu e Diélcio trabalhamos na formatação da programação da televisão TV Gazeta, atualmente a TV Vila Real. Na época, o Grupo Triunfo e Dorileo Leal compraram o canal 10, na época da emissora CNT. Nós, eu e Diélcio, ficamos responsáveis por criar o conteúdo jornalístico. Dali saíram o “Terceiro Mundo” e “Sua Safra, Seu Dinheiro”, programas que marcaram época na TV mato-grossense.
Diélcio também foi responsável pela concepção do projeto Viva Seu Bairro (VSB). Especialista em marketing, ele entendeu que a TV, a rádio e o jornal precisavam criar um elo como a comunidade e, até, hoje, o VSB movimenta a cena cultural da Baixada Cuiabana, sendo responsável pela revelação de grandes talentos da classe artística do estado.
O professor Diélcio Moreira é sinônimo de dignidade, de ética, de coerência e de uma enorme capacidade de ensinar. É um dos jornalistas com quem eu mais aprendi na comunicação de Mato Grosso. Viva a vida, viva de Diélcio Moreira.
Antero Paes de Barros

Parabéns pelos 70, pai!
Sete décadas de histórias, estudos, leituras e muitas páginas viradas — literalmente e na vida também. Já dá até pra pedir um diploma vitalício de “aluno da vida”!
É inspirador ver como você nunca perde a curiosidade, está sempre aprendendo alguma coisa nova e ainda consegue lembrar de tudo (às vezes até melhor que a gente).
Que venham muitos anos com saúde, boas leituras, descobertas interessantes e tempo de sobra pra estudar sem pressa — e sem ninguém te interromper no meio do capítulo!
Aproveite seu dia… um beijo grande.
Tato, Alexandre Moreira
Um portal para a claritude
Diélcio foi meu orientador da monografia na UFMT, no curso de Comunicação Social. Desde as primeiras aulas, eu já havia decidido que ele seria o professor que eu gostaria que me orientasse e, para minha sorte, ele aceitou. Sua praticidade, sua inteligência e o seu senso crítico foram cruciais para minha graduação. Hoje, parte do profissional que sou, devo a ele. Um verdadeiro mestre que divide o que sabe e, ao mesmo tempo, mostra real interesse pela nossa humilde descoberta. Lembro-me da autonomia que ele me dava para pensar e a forma elegante com que ele desafiava minhas convicções: “é isso que você quer dizer? Então, vá em frente”, dizia ele, lançando-me livre no paraíso do conhecimento. Ali eu entendi que o caminho do saber é, via de regra, solitário. Mas, quando se é orientado por um verdadeiro mestre, é possível alcançar a claritude.
Eduardo Butakka
Um mestre da comunicação
Na comemoração dos 70 anos do professor Diélcio Moreira, grande jornalista e professor aposentado da UFMT, eu não poderia deixar de cumprimentá-lo pela data, desejando-lhe felicidades e vida longa. Diélcio é uma daquelas pessoas que todos que assumem um cargo público deveriam ter por perto. Na função de reitora da UFMT, período de 2012-2016, tive a sorte de tê-lo como Secretário de Comunicação. Com ele aprendi muito, sobretudo no que tange à relação da mídia com a instituição. Com análise sempre apurada dos fatos e dos processos de comunicação, a UFMT teve um período de crescimento e consolidação de suas políticas, sob a sua administração. Serei sempre grata ao prof. Diélcio pela sua dedicação. A UFMT teve um grande mestre, na graduação e na pós graduação, além do trabalho primoroso na administração. Obrigada, professor Diélcio.
Maria Lúcia Cavalli Neder
Diélcio, um gentleman
Mais do que um colega do Jornalismo e da UFMT, Diélcio Moreira é um amigo de muitos anos. Com seu jeito calmo, educado, sem alterar a voz em qualquer situação, ele esteve presente na minha família nas situações de alegria e de tristeza, demonstrando carinho e atenção, o que agradeço muito.
No lado profissional e intelectual, Diélcio se destaca pela dedicação, compromisso e estudos que realiza para desempenhar suas atividades com primor, agora focadas nas pesquisas.
Viver conectado ao mundo da comunicação, mas sempre com um olhar humano e empático, é um dos traços que mais admiro nesse meu amigo querido!
Vida longa, Diélcio!
Sônia Zaramella

Comunicação para conectar ciência e comunidade
Mineiro de fala mansa, gestos comedidos e ouvidos atentos, Diélcio é amigo e parceiro há quase 30 anos, quando nos conhecemos na Universidade Federal de Mato Grosso. Mas, para além da amizade e do carinho entre as duas famílias, nesta data marcante, quero destacar o caráter empreendedor e colaborativo desse nosso amigo que sempre está envolvido com muitos projetos ao mesmo tempo.
Na academia, Javier e eu tivemos a oportunidade de participar de vários deles, o que nos trouxe muitas experiências marcantes e enriquecedoras. Fizemos programas de rádio para o público infantil, jornal destinado a jovens e adolescentes, desenvolvemos projetos voltados para o ensino fundamental, organizamos muitos eventos na área de comunicação, pesquisamos sobre variados temas, estudamos e crescemos intelectualmente juntos.
Sempre preocupado em articular o ensino de graduação, os projetos de extensão voltados à comunidade e a pesquisa, foi Diélcio o responsável pela concretização do doutorado interinstitucional, realizado entre a UFMG e a UFMT, que permitiu a qualificação de vários professores dos cursos de Publicidade e Propaganda, Radialismo e Jornalismo, fortalecendo a pesquisa em comunicação no âmbito regional.
E ele não para! A pesquisa continua sendo a tônica de suas atividades, com destaque para a realização do projeto Multimundos, que conecta uma sólida rede de pesquisadores tanto no Brasil como no exterior. Recentemente, Diélcio coordenou no Brasil o projeto Mulheres da Comunicação, organizando a publicação do livro da região Centro-Oeste. Certamente, vem mais por aí…
Siga em frente com seus projetos, amigo Diélcio, somos gratos pelo seu carinho e pelo convívio com sua linda família. Conte sempre com os López de Cuiabá e VIVA OS 70 E MUITOS MAIS.
Mariângela Sollá López
Divulgando ciência
O que poderia falar sobre o professor Diélcio? Ele é uma pessoa e um profissional que admiro há muito tempo e sempre que pude, estive por perto para aprender com ele. Na graduação participei do Núcleo de Estudos, Organização e Gestão de Eventos em que ele organizou alguns eventos e produziu um jornal impresso.
Depois da graduação, participei de um curso de jornalismo científico em que ele organizou quando foi secretário de comunicação e multimeios da UFMT. Esse contato com o jornalismo científico despertou meu interesse em trabalhar nessa área.
Como jornalista e servidora no IFMT, e voltamos a dialogar mais, participei de alguns projetos que ele dirigia como a Rede de Divulgação Científica (RDC), integrava o comitê gestor, formado por representantes das três instituições públicas de ensino superior: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). E na organização do Seminário de Divulgação Científica que foi realizado pela UFMT com o apoio da Unemat e IFMT.
O interesse na comunicação científica e sua divulgação, impulsionou-me a entrar no mestrado no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da UFMT para tratar sobre o tema e o convidei para ser meu coorientador. Sua participação foi primordial e me ajudou muito. Agora, estou no doutorado e ele é meu orientador, onde aprendi e estou aprendendo a escrever artigos científicos, pois ele estimula muito a gente a escrever. Gosto muito de ouvi-lo falar, pois possui muita sabedoria e conhecimento, e aprendo muito estando perto. E o interesse continua, cada dia mais vivo, em divulgar e socializar o conhecimento científico produzido na academia para a sociedade.
Juliana Micaela
Um pensador para além dos muros da academia
O Diélcio é do tipo de pessoa que quando passa pela nossa vida a transforma completamente. Em 2013 ingressei no curso de Jornalismo da UFMT com o sonho de ser jornalista esportivo. Porém, logo no primeiro semestre, conheci o professor Diélcio (que ministrava a disciplina de Fundamentos das Mídias) que me convidou no fim de seu curso para participar de um grupo de pesquisa.
No segundo semestre da graduação eu já estava executando um projeto de iniciação científica e tinha visto a minha perspectiva de vida mudar completamente. Naquele momento, tive a convicção que seguiria os passos do meu professor e seguiria a carreira acadêmica. O fato é que Diélcio foi o catalizador da mudança, o stimmung para a emergência de um erfahrung, o encontro com a alteridade que produziu um antes e um depois. Jamais imaginei que uma disciplina de primeiro semestre poderia transformar a minha vida.
Com o passar dos anos, a nossa amizade transcendeu o ambiente acadêmico, nos tornamos amigos e nossos laços foram se estreitando, tanto que ele é o meu padrinho de casamento, fazemos planos e trocamos ideias sobre o mundo e a vida, sempre que possível.
Amigo sempre pronto para ajudar em todas as ocasiões, um sábio conselheiro com uma experiência de vida fantástica, um acadêmico com um trabalho investigativo profundo sobre a comunicação, um pensador atento sobre as questões emergentes do contemporâneo, um professor apaixonado pela educação e que contribuiu com a sociedade ao baixar os muros da universidade para que os jovens de escola pública pudessem ter acesso a esse meio, ainda tão restrito e elitizado. Enfim, adjetivos são insuficientes para expressar a dimensão e a importância de Diélcio Moreira como amigo, professor, pesquisador, jornalista e secretário de comunicação.
Parabéns Diélcio, que venham mais 70 anos, não vamos aceitar menos do que isso!
Deodato Libanio
Diélcio, O Irrequieto
Uma pessoa irrequieta. Creio ser esta a melhor palavra para definir Diélcio, seja o jornalista, seja o professor. E esta característica da sua personalidade explica a relevância da contribuição que tem dado ao jornalismo mato-grossense desde que aqui aportou, na década de 1980, para atuar como assessor de comunicação da Secretaria de Estado de Agricultura, e anos à frente ao se tornar professor de Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso.
Entre suas contribuições ao jornalismo mato-grossense, gostaria de registrar a ideia de criar um veículo impresso que diferenciasse dos já existentes em Cuiabá e que oferecesse ao leitor um leque amplo de temas, como política, passando pela economia, pautas policiais de ampla repercussão e um olhar especial voltado para as artes e a cultura regional – o semanário “Fim de Semana”. Com grande capacidade de persuasão, Diélcio conseguiu convencer um político-empresário a investir num jornal com baixo retorno financeiro e com uma linha editorial que escapava da tutela política do Governo do Estado, detentor do maior quinhão publicitário.
Mas sua atuação como professor talvez tenha sido ainda mais relevante. Além de ser um mestre com vasta bagagem de conhecimento teórico, concebeu vários projetos de pesquisa e de extensão e tornou-se uma referência no curso de Jornalismo. Destaco aqui o projeto na área de educomunicação que criou e comandou, numa parceria da UFMT com a Secretaria de Estado de Comunicação, beneficiando alunos da rede estadual de ensino, inclusive de escolas rurais.
A educomunicação é definida como “uma abordagem pedagógica que integra a comunicação e a educação, buscando construir conhecimento de forma participativa e crítica”. Tive o privilégio de participar do projeto e testemunhar como transformou, para melhor, o desempenho escolar e a vida dos alunos que dele participaram.
Ainda bem que Diélcio se aposentou da UFMT mas, como bom irrequieto que é, continua contribuindo com seu conhecimento na pós-graduação da instituição. E, ao que parece, sem nenhuma intenção de “pendurar as chuteiras”.
Tinho Costa Marques






















