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PROTEÇÃO ÀS MULHERES

Violência contra a mulher é problema de saúde pública, dizem especialistas em Cuiabá

Em evento do Cosems-MT, promotora afirma que vítimas chegam primeiro à rede de saúde e cobra atuação integrada entre municípios

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(Foto: PNB Online)

A violência doméstica contra a mulher deve ser tratada como um problema de saúde pública, e não apenas de segurança ou justiça, afirmaram especialistas durante o 3º Congresso do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems-MT), realizado entre os dias 13 e 15 de maio na capital. O evento reúne mais de 1.200 participantes no Hotel Fazenda Mato Grosso.

A avaliação foi destacada pela promotora de Justiça Carina Sfredo Dalmolin, da 1ª Promotoria Criminal de Sorriso, durante mesa sobre gestão do SUS nesta quinta-feira (14.05), equidade e enfrentamento das violências. Segundo ela, os serviços de saúde costumam ser a porta de entrada para mulheres vítimas de agressão.

“Muitas vezes essas mulheres chegam primeiro ao posto de saúde, à unidade básica ou aos hospitais, antes de procurar uma delegacia”, disse. “Os profissionais de saúde acabam sendo os primeiros a identificar sinais físicos, emocionais e psicológicos de violência.”

A promotora citou dados que dimensionam o problema: quatro mulheres são mortas por dia no país e mais de 700 sofrem agressões no contexto de violência doméstica. Em Mato Grosso, proporcionalmente à população, o estado figura entre os que têm maiores índices de feminicídio.

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Apesar de avanços legais, como o aumento das penas para feminicídio, e de iniciativas do poder público, Dalmolin afirmou que as medidas ainda são insuficientes para conter os números. “Não basta a atuação isolada. É preciso uma rede estruturada e integrada entre saúde, assistência social, educação e segurança”, disse.

Durante a exposição, a promotora relatou o caso de uma mulher vítima de tentativa de feminicídio no interior do estado. Após ser atacada pelo companheiro, ela ficou internada em UTI por mais de duas semanas e precisou de longa reabilitação. O impacto, segundo Dalmolin, se estendeu a toda a família, que assumiu cuidados com os filhos, apoio financeiro e acompanhamento psicológico.

O episódio ilustra, na avaliação dela, como a violência extrapola a vítima direta. “Atinge filhos, irmãos, pais. É um problema coletivo, que exige resposta coletiva”, afirmou.

A promotora também chamou atenção para a dificuldade de muitas mulheres em manter denúncias. Segundo ela, é comum que vítimas recuem ao longo do processo, seja por dependência financeira, pressão psicológica ou ausência de rede de apoio. “Sem estrutura, sem acolhimento contínuo, muitas não conseguem sair do ciclo de violência”, disse.

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A mesa contou ainda com a participação de Virginia Mendes, ex-primeira-dama de Mato Grosso; Lourdes Goretti Felipe, vereadora de Nova Ubiratã; Mayara Bianca Barbosa Rodrigues, ex-secretária de Saúde de Alto Taquari; Ana Clara Ribeiro Prado, consultora do Hospital Israelita Albert Einstein; e Sonia Maria Ávila, secretária de Saúde de Nova Mutum, que mediou o debate.

O congresso segue até sexta-feira (15.05) com discussões sobre os desafios da gestão municipal do SUS e estratégias para ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde no estado.

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