
A violência contra a mulher, uma das questões mais graves de segurança pública em Mato Grosso, recebe tratamentos distintos nos planos de governo apresentados pelos seis candidatos ao Palácio Paiaguás à Justiça Eleitoral.
Natasha Slhessarenko, Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes dedicam capítulos ou eixos específicos às mulheres. Sargento Laudicério distribui propostas pela segurança, saúde e assistência social. Maurício Coelho aborda a proteção feminina dentro da política de segurança pública. Já o plano de Rafaell Milas não apresenta propostas específicas para mulheres.
O tema ganha peso em uma eleição realizada num estado que permanece entre os mais afetados pela violência de gênero. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, apontam 31 feminicídios em 2026 até 16 de agosto, quatro deles somente neste mês. Em 2025, foram 54 casos.
Natasha propõe secretaria e atendimento 24 horas
Natasha, a única candidata mulher, dedica uma das sete frentes do plano exclusivamente às mulheres, reunindo segurança, saúde e autonomia econômica.
A candidata propõe criar uma Secretaria de Estado da Mulher, com orçamento próprio e responsabilidade pela coordenação das políticas da área. Também prevê Casas Regionais de Cuidado da Mulher, que reuniriam atendimento psicossocial, delegacia, Defensoria Pública e alojamento provisório.
O plano prevê ainda delegacias especializadas funcionando 24 horas, dispositivo de emergência conectado à polícia para mulheres sob medida protetiva e acompanhamento dos agressores.
Outra proposta é tratar a violência também como questão de saúde, treinando profissionais para identificar sinais de agressão e criando atendimento específico nos hospitais. Para filhos de mulheres assassinadas, Natasha propõe acompanhamento psicológico, social e educacional até a vida adulta.
O documento também associa o rompimento do ciclo de violência à independência financeira, com prioridade para vítimas em programas de qualificação, emprego e habitação provisória.
Pivetta cria pilar próprio e aposta em monitoramento
Pivetta também reserva um dos cinco pilares do programa à “Proteção à Mulher, Apoio à Maternidade e Autonomia Financeira”.
O plano defende ampliar a Patrulha Maria da Penha e as delegacias especializadas e criar novas unidades da Casa da Mulher Brasileira nos principais polos do estado. Também propõe atendimento virtual 24 horas, avaliação de risco e pedidos de medidas protetivas sem necessidade de deslocamento entre municípios.
Uma das apostas está no uso de tecnologia. O documento prevê fiscalização eletrônica de agressores em casos de medidas protetivas e monitoramento de chamadas ao 190 relacionadas à violência que não tenham resultado em boletim de ocorrência, com o objetivo de identificar reincidências e antecipar visitas da Patrulha Maria da Penha.
Na área econômica e social, Pivetta propõe manter o auxílio-moradia para vítimas de violência, construir moradias destinadas prioritariamente a mulheres chefes de família em situação de vulnerabilidade e buscar 50% de participação feminina nos cargos de chefia da administração estadual.
Wellington também propõe Secretaria da Mulher
Wellington dedica um capítulo do plano à “Proteção à Mulher” e afirma que a política deve atuar antes, durante e depois das situações de violência.
Entre as medidas está a criação de uma Secretaria da Mulher, com orçamento definido. O candidato também propõe fortalecer organismos municipais dedicados à pauta e instituir uma política permanente de prevenção à violência com foco explícito na redução dos feminicídios.
O programa prevê avaliação de risco das vítimas, ampliação de unidades integradas de atendimento e implantação de Salas Lilás em unidades periciais e hospitais regionais. Também propõe programas de responsabilização e reeducação dos autores de violência doméstica.
Outro bloco trata da autonomia econômica, com qualificação e inserção profissional de mulheres vítimas de violência, expansão de creches e uma política específica para mulheres rurais, com crédito, assistência produtiva e apoio à comercialização.
Laudicério distribui propostas por diferentes áreas
Sargento Laudicério não cria um eixo exclusivo para mulheres, mas inclui medidas específicas em diferentes partes do plano.
Na segurança, propõe ampliar a Patrulha Maria da Penha, melhorar o atendimento especializado e criar um fluxo estadual para acompanhamento de medidas protetivas e seus descumprimentos, especialmente no interior.
O programa também prevê uma rede itinerante para atender mulheres em comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas e regiões distantes dos centros urbanos, além de atendimento pericial específico para evitar a revitimização de vítimas de violência sexual e doméstica.
Para mulheres em risco, o plano prevê auxílio-moradia temporário, prioridade em políticas habitacionais, qualificação profissional, crédito e intermediação de emprego.
Na saúde, há uma linha estadual de cuidado da mulher que inclui atendimento ginecológico, planejamento reprodutivo, pré-natal, parto, puerpério e prevenção de cânceres.
Maurício trata tema dentro da segurança
No plano de Maurício Coelho, a questão das mulheres aparece de forma mais restrita e vinculada principalmente à segurança pública.
O programa afirma que a proteção da mulher exige “investigação, prevenção e rede de atendimento” e inclui a redução da violência contra mulheres entre os indicadores que deverão ser usados para avaliar os resultados das políticas de segurança.
O documento também prevê que projetos de segurança e desenho urbano levem em consideração a percepção das mulheres sobre ruas e espaços públicos.
Diferentemente de Natasha, Pivetta e Wellington, o plano não cria uma estrutura específica para políticas de mulheres nem detalha medidas voltadas ao acompanhamento de vítimas de violência doméstica ou de agressores.
Plano de Milas não traz política específica para mulheres
O plano de Rafaell Milas é o que menos incorpora a questão de gênero entre os seis documentos analisados. O texto não apresenta um eixo específico para mulheres e não traz propostas direcionadas ao combate ao feminicídio ou à violência doméstica.
A segurança pública é abordada principalmente a partir do combate às facções criminosas, do controle das fronteiras, de crimes patrimoniais no campo, do aumento da capacidade policial e do sistema prisional.






















