Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Presidente Bolsonaro participou de atos em Brasília [foto] e também em São Paulo
Dois atos foram realizados nesta terça-feira (07.09), em Cuiabá, no feriado em que é comemorada a Independência do Brasil. Os dois atos, no entanto, tiveram motivações antagônicas: um deles a favor do presidente Jair Bolsonaro e o outro contrário ao presidente.
O ato a favor de Bolsonaro reuniu seus apoiadores para uma carreata que teve concentração na Praça Ulisses Guimarães, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça. Em carros, motos e também com carros de som, o grupo seguiu pela avenida promovendo um buzinaço em direção à Orla do Porto.
A manifestação contrária ao presidente, chamada de ato inter-religioso e cultural, foi realizada no bairro Jardim Vitória. Os manifestantes se reuniram na Fundação Bradesco e, de lá, seguiram caminhando até a Praça Cultural do bairro.
No país
De manhã, o presidente Jair Bolsonaro participou de ato a favor do governo, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os manifestantes também levavam cartazes em defesa do voto impresso e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro ficou no local por cerca de meia hora e discursou em um carro de som, acompanhado de ministros. Ele reafirmou que as autoridades devem agir dentro dos limites da Constituição e fez referência a decisões do STF, onde é alvo em quatro investigações. “Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica, da região [da Praça] dos Três Poderes, continue barbarizando a nossa população”, disse.
Carol Siqueira

Em Cuiabá, manifestantes fizeram ato contra o presidente Jair Bolsonaro
“Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Porque nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada Poder da República. Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede pra sair”, completou.
Bolsonaro disse que na terça-feira (08.09) terá reunião com ministros e também com os presidentes da Câmara, Arthur Lira, do Senado, Rodrigo Pacheco, e do STF, Luiz Fux. “Com esta fotografia de vocês [das manifestações de hoje], vou mostrar pra onde nós todos devemos ir”, disse aos apoiadores.
De acordo com a Polícia Militar do DF, uma pessoa foi detida, por portar drogas e quatro celulares. Outro flagrante foi registrado atrás do Ministério da Economia, por porte de drogas e de arma branca. A pessoa assinou Termo de Compromisso e foi liberada. A PM encontra-se com efetivo em toda a área central da capital, monitorando a movimentação dos manifestantes contra o governo e pró-governo. Pela manhã, também houve atos contra o presidente, em Brasília.
O presidente Jair Bolsonaro iniciou seu segundo discurso do dia, na Avenida Paulista, diante de milhares de apoiadores. Ele começou citando Deus e dizendo que passou por meses difíceis, nos quais recebeu muitas cobranças. Segundo ele, o momento demandou cautela.
“Tinha de esperar um pouco mais para que a população fosse se conscientizando do que é um regime ditatorial. Pior do que o vírus foram as ações de alguns governadores e prefeitos”, disse, novamente criticando políticos que optaram por seguir as orientações da ciência relacionadas, especialmente, ao distanciamento social e uso de máscara.
Diante de apoiadores pedindo “liberdade”, Bolsonaro diz que defende a democracia, mas que não pode aceitar participar de uma “eleição que não oferece qualquer segurança”. Sem mencionar nominalmente o ministro Luís Roberto Barroso, disse ainda que o sistema eleitoral não pode ser definido por uma única pessoa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Não posso mais participar de uma farsa patrocinada pelo presidente do TSE.”
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