A eleição em Cuiabá será ditada pela disputa polarizada entre Lula x Bolsonaro? A pauta local será movida por quais questões que afetam o cotidiano dos cuiabanos e cuiabanas? Um generalista partiria de premissas postas como inevitáveis. Vamos ao exame do pensamento de um generalista padrão, criado pela imaginação. Este generalista diria, neste exercício conceitual livre, o seguinte:

– Sobre a ideia torta de que os servidores são dominados pelos interesses dos poderosos de plantão e submetidos às questões de sobrevivência: “o município e a Assembleia Legislativa possuem um número escandaloso de servidores comissionados (aqueles cuja liberdade de voto está atrelada à subsistência). Cada servidor deste é um cabo eleitoral de pelo menos outras três pessoas na família. Não há que se falar em ignorância ou sabedoria no ato da eleição, e sim, sobrevivência”. Este é o pensamento do generalista padrão. Na verdade, na prática a questão do voto, secreto, atravessa mais do que esta ligação direta e simples.
– O suposto voto ideológico na visada generalista: “temos os que votam no que o candidato representa, e encaram isso como voto ideológico (a moda hoje é direita x esquerda, embora se pareçam em muitos aspectos), e diante desse voto ideológico, pouco importam as deficiências do candidato, afinal, sua “ideologia” é uma grande virtude”. Outra visada generalista que tem a adesão de quem não considera o contexto de uma disputa e os acontecimentos que possam provocar a revisão de crenças entre os eleitores.
– O voto do eleitor sem pudor: “Há aqueles que votam no “menos pior”, seja lá o que ele compreenda como menos pior. Na ultima eleição teve gente que entendeu ser menos pior o “louco” do que o “ladrão”. Houve quem escolheu o ladrão”.
– No panorama desta visada, o generalista concluiria: “e, por fim, há aqueles que aproveitam os 45 dias pra ganhar um dinheirinho, vendendo voto ou trabalhando como cabo eleitoral, pois sabem que no frigir dos ovos, mais vale uma mão na teta do que duas no sutiã: Sabem que independentemente de quem se eleja, a difícil vida pouco ou nada mudará”.
Esta é uma síntese de algumas ideias generalistas que emergem neste cenário eleitoral em Cuiabá. Quem concorda que levante a mão! Eu discordo: a política reduzida à ideia da inevitabilidade e nas crenças imutáveis, ignora os acontecimentos; a ambivalência das emoções em jogo e as consequências da ação de cada candidato no processo eleitoral. As singularidades em oposição às generalidades, uma disputa que também pode ser levada para outros campos, além da política, como a filosofia.






















