
Cacique Raoni e um grupo de líderes indígenas da América do Sul fizeram um apelo nesta quarta-feira (25.09), em Nova York, para que a comunidade internacional aja contra os incêndios florestais e a pior seca dos últimos 121 anos que atingem a Amazônia e outros ecossistemas do continente.
Durante a coletiva de imprensa realizada na Semana do Clima, Raoni destacou a destruição crescente de florestas e rios e alertou que o mundo está à beira de uma “catástrofe climática sem precedentes, com impactos diretos sobre a vida dos povos indígenas”.
Cacique Raoni, uma das figuras mais reconhecidas no mundo pela luta pela preservação da Amazônia, alertou sobre os efeitos das queimadas que atingem não só a floresta tropical, mas também biomas como o Cerrado e o Pantanal, com Mato Grosso sendo um dos estados mais atingidos. “Nossas florestas estão queimando, nossos rios estão secando, nossas comunidades estão sofrendo”, disse o líder Kayapó.
Mato Grosso, epicentro de queimadas no Cerrado, registrou 31% de todos os focos de incêndio na região em 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O aumento de 127% nas queimadas em comparação ao ano passado mostra o agravamento da crise ambiental. Além disso, o Pantanal viu um crescimento de 3.707% no número de focos de incêndio em agosto de 2024.
Além das queimadas, a seca severa tem sido um grande desafio para as comunidades indígenas. O relatório “Amazônia à beira do colapso”, apresentado durante a conferência, mostrou que 149 Terras Indígenas na Amazônia brasileira estão em situação de seca severa ou extrema, com 42 delas enfrentando escassez de água crítica, rios completamente secos e grandes perdas agrícolas. Essas condições têm ameaçado mais de 3 mil famílias indígenas em Mato Grosso e outras áreas da região.
A Coordenação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e outras organizações pediram que os países reconheçam os direitos territoriais dos povos indígenas como parte de uma política climática global. Durante a coletiva, eles destacaram que a conservação de territórios indígenas é determinante para combater a crise ambiental e proteger ecossistemas que ajudam a regular o clima global.
Além da Amazônia, o Cerrado, considerado a maior savana tropical do mundo, também enfrenta uma degradação acelerada. O bioma, que se estende por grande parte de Mato Grosso, tem visto um aumento no desmatamento impulsionado pela expansão agrícola e pecuária, conforme noticiado pelo PNB Online. O impacto é especialmente preocupante para o ciclo de águas que alimenta o Pantanal, outra área gravemente afetada pelas mudanças climáticas e incêndios.
Os líderes indígenas concluíram o evento pedindo uma resposta global coordenada e ações concretas para proteger os biomas sul-americanos e, com eles, a sobrevivência dos povos indígenas e de toda a humanidade.
























