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ENTREVISTA

Emanuel lembra erros e acertos e faz balanço de 8 anos na Prefeitura: ‘Ficaria mais’

Prefeito revelou ainda ao PNB Online quais os planos para seu futuro político e como gostaria de ser lembrado nos livros de história.

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Emanuel Pinheiro (MDB) exerce o cargo de prefeito de Cuiabá há oito anos. Foram dois mandatos turbulentos, com denúncias e operações policiais, com o enfrentamento da pandemia de covid-19, mas também com muitas entregas, que ele faz questão de ressaltar e elencar uma a uma. Faltando menos de um mês para deixar o cargo, o prefeito concedeu uma entrevista ao PNB Online em seu escritório para fazer uma avaliação dos seus oito anos de gestão. Lembrou dos momentos de maior alegria e de tristeza ao longo dos dois mandatos, falou sobre seus erros e acertos, sobre o passado e também sobre o futuro e sua predisposição em fortalecer a oposição ao grupo que atualmente governa o Estado, já pensando nas eleições de 2026. E também listou alguns desafios que o próximo prefeito de Cuiabá deve enfrentar a partir do dia 1º de janeiro de 2025.

Confira a entrevista abaixo:

PNB Online – O senhor foi eleito prefeito em 2016, tomou posse em 2017 e foi reeleito em 2020. Está terminando o oitavo ano como prefeito de Cuiabá. Deu tempo de fazer tudo o que o senhor planejou lá em 2017?

Emanuel Pinheiro – Tudo que eu planejei, tudo que Cuiabá precisa, claro que oito anos é muito pouco. Cuiabá precisa, merece uma evolução constante. Agora, tudo aquilo que eu planejei, eu posso te assegurar que eu consegui muita coisa. Eu não vou dizer tudo porque sempre fica aquela vontade, aquele gosto de quero mais, o gosto de ter concluído o Contorno Leste. Mas vou entregar 70% construído. Um gosto de quero mais em relação à criação do Distrito Industrial Municipal, que eu mandei a lei para a Câmara, infelizmente eu não consegui dar a celeridade necessária para entregar ainda no meu mandato, mas eu vou deixar todo o projeto pronto. O Plano Diretor, que eu me dediquei tanto a ele, que está na Câmara até hoje, esse eu ainda vou tentar articular com a Câmara. Porque é importante deixar esse legado, que dê a direção do desenvolvimento da nossa capital para os próximos 30 anos. Infelizmente ainda não foi possível a aprovação dele. O Hospital Veterinário Municipal não foi possível entregar como eu gostaria, mas estamos lutando para entregar a Clínica Veterinária, que já é um avanço.

PNB Online – O senhor citou algumas obras que gostaria de ter feito mas não entregou. Tem mais alguma coisa que ficou de 2017 e, ao longo desses oito anos, não conseguiu avançar?

Emanuel Pinheiro – Um sonho, que não era programa de governo, não era proposta, não foi promessa, e não estava no meu programa de governo, mas nasceu com o meu sonho de colocar Cuiabá sempre no radar das mais emergentes e fantásticas capitais do país, que era a construção da torre dos 300 anos. Eu tentei muito. Ela ia ser ali no tradicional Morro da Luz, na localidade do Clube Dom Bosco, um projeto fantástico, audacioso, mas que não se sustentou economicamente. Só por isso que eu não consegui entregá-lo.

PNB Online – Essa torre que teria um restaurante?

Emanuel Pinheiro – O restaurante giratório, lá em cima. E com o passar do tempo e pela dificuldade do giratório, eu até abri mão do giratório, mas eu não abria mão da torre dos 300 anos. Mas, enfim, o projeto está aí. Eu vou deixar para os meus sucessores, porque eu acho que Cuiabá merece cada vez mais ser enxergada, ser encarada como uma capital do futuro, uma capital moderna, pujante, em franco desenvolvimento.

PNB Online – Do que o senhor mais se orgulha de ter feito nesses 8 anos?

Emanuel Pinheiro – Tanta coisa que eu me orgulho. Eu me orgulho do HMC [Hospital Municipal de Cuiabá], o maior hospital público da história de Cuiabá, o maior hospital do centro-oeste brasileiro, e eu gosto sempre de falar padrão de hospital particular para a população SUS, para a população carente. Ter acabado com aquele inferno, com aquele açougue que era o antigo Pronto Socorro de Cuiabá. As duas UPAs [Unidades de Pronto-Atendimento], me orgulham bastante. O resgate e a inovação do programa Amor – Assistência Médica e Odontológica Rural, que leva a atenção básica, a promoção e a prevenção da saúde lá para a ponta, lá onde mora o mais longínquo morador da área rural de Cuiabá. O Melhor Em Casa, um projeto altamente humanizado em parceria com o governo federal, onde principalmente os mais idosos ou doentes crônicos, eles reagem positivamente ao tratamento quando estão no seio familiar. Eu plantei a semente do Melhor Em Casa, que está sendo um sucesso.

PNB Online – Tudo o que o senhor está listando é relacionado à área da saúde…

Emanuel Pinheiro – Quatro prefeitos, em 20 anos de SUS, fizeram 72 equipes de Saúde da Família. Eu, em oito anos, saltei de 72 para 141 equipe de Saúde da Família. Então também é um legado porque estamos falando de promoção e prevenção à saúde. E nessa lógica, entreguei várias unidades básicas de saúde e avancei na saúde bucal. Eu recebi em Cuiabá com 10 equipes de saúde bucal e hoje são 67. Criei a hora estendida nas unidades básicas, de 7h da manhã às 7h da noite. Em algumas regiões, de 8h da manhã às 8h da noite, sem intervalo para o almoço, como era antigamente. Se você migrar para a educação, deixei como legado, previsto em lei, a doação anual gratuitamente para todos os 58 mil alunos da rede, o kit uniforme escolar completo com camisa, saia, short saia, bermuda, tênis, mochila, e o kit material escolar completo: lápis, borracha, caneta, livro, caderno, esquadro, régua, para todos os alunos da rede. A reconstrução de várias unidades de ensino, o avanço no ensino aprendizagem através da política pedagógica, feita e discutida pelos nossos profissionais. E isso nos levou a ter várias premiações e a nos superar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. No último Ideb, das 10 melhores escolas públicas do Estado, oito são de Cuiabá. E dessas oito, as três melhores são da Prefeitura Municipal de Cuiabá. Isso mostra a assertividade com que estamos fazendo a educação pública.

PNB Online – Algum legado da infraestrutura?

Emanuel Pinheiro – A universalização do saneamento básico. Eu entrego a cidade realizando o sonho dos cuiabanos: água tratada na torneira, 24 horas por dia, sete dias por semana. Agora o desafio está no esgotamento sanitário, coletado e tratado. Quando eu assumi estava em 31%, 33%, e hoje está em 94%. O desafio que eu deixo para o meu sucessor, que é um trabalho menor, mas não menos importante, que é financiar a ligação da residência até a rede coletora para as famílias carentes. Encerrei o antigo lixão, que era aquela vergonha às margens da rodovia Emanuel Pinheiro, e levei o novo aterro sanitário para uma região adequada, que vai possibilitar uma nova política de destinação final para o lixo, e a transformação dos resíduos sólidos, lá na região do Pedra 90. Fui o primeiro prefeito da história de Cuiabá, com recursos municipais, fiz dois viadutos. O viaduto Juca do Guaraná, na Avenida das Torres, e o viaduto Murilo Domingos, na Beira Rio. Fizemos mais de 400 km de asfalto ao longo desses quase 8 anos de mandato, asfaltando bairros. Entre esses está o Contorno Leste, a maior avenida da história de Cuiabá. Temos a PPP [Parceria Público Privada] que nos possibilitou lançar a requalificação do Mercado Municipal Miguel Sutil, que vai ser entregue no final do ano que vem. É a primeira ação concreta de requalificação do Centro Histórico de Cuiabá. Eu saí do discurso e fui para a prática entrando justamente num patrimônio que é muito caro à cuiabania, que é o Mercado Municipal. O Dutrinha [Estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra], nós resgatamos o templo do futebol cuiabano, que estava fechado há três anos quando eu assumi. Devolvemos o Dutrinha à população cuiabana, fizemos uma concessão e ganhou o tradicional Mixto Esporte Clube. O Mercado do Porto, entregamos a primeira etapa e a segunda será entregue agora, no final do ano, um ícone cultural, social e gastronômico. O Aquário Municipal, a Orla do Porto, a reabertura do Restaurante Popular…

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PNB Online – Mas se pudesse voltar no tempo, tem alguma coisa que o senhor faria de forma diferente?

Emanuel Pinheiro – Eu faria diferente. Eu articularia primeiro com o Governo Federal, com o Governo Estadual, para depois abrir o HMC. Eu faria o HMC igual. Só que eu estava tão louco para entregar o HMC, tão determinado… eu recebi o HMC com 20%. Era um esqueleto largado, a céu aberto..

PNB Online – Mas o que que o senhor faria diferente?

Emanuel Pinheiro – Eu fiz o HMC e entreguei o HMC entendendo que o Governo Federal, o Governo do Estado, na hora que vissem aquele shopping center para a população carente, eles iriam ajudar automaticamente. Mas foi o contrário. E Cuiabá teve que segurar sozinha. Eu não admiti fechar o serviço, eu não admiti deixar a população carente, mesmo sabendo que o estado inteiro estava vindo para cá numa proporção muito grande. Mas eu não deixei de fazer o meu papel humanitário, como prefeito da capital, porque Cuiabá é a mãe de todos os municípios e o SUS é universal. Mas, se fosse hoje, eu iria honrar, iria entregar o HMC, mas eu faria uma articulação melhor da abertura, da plenitude do funcionamento, dos serviços e o custeio desses serviços. Eu primeiro abri, entreguei, e depois que eu fui buscar o apoio, que eu achei que seria natural. Na verdade muitos interesses escusos, muitos interesses politiqueiros acabaram sobrecarregando a cidade. Acabaram desviando o foco e tentaram me prejudicar muito.

PNB Online – Tem alguma coisa nesses 8 anos de gestão que o senhor se arrepende de ter feito? 

Emanuel Pinheiro – A gente é ser humano, é de carne e osso, mesmo quando a gente erra, quando a gente ocupa um cargo de prefeito da nossa capital, a gente toma decisões e sempre pensa em acertar. Você mesmo errando, você errou por tentar acertar. Mas eu, sinceramente, não é prepotência, eu não lembro de nada que eu tenha me arrependido. Mas com certeza tem, mas eu não lembro. Eu não me arrependo do HMC, mas eu faria de outra forma a condução do processo. Entregaria igual, mas sem sacrificar tanto as finanças do município. E sem me expor tanto às mazelas e às sacanagens, desculpando falar assim, dos nossos adversários. Eu deixo os meus adversários falarem o que não deu certo.

PNB Online – Durante sua gestão como prefeito, qual foi o momento de maior alegria à frente do cargo?

Emanuel Pinheiro – Todo dia, para mim, é uma alegria. Mas ser prefeito dos 300 anos de Cuiabá, isso foi muito simbólico para mim, foi muito importante. Eu me sentia um predestinado e acho até que sou, porque eu fui o prefeito dos 300 anos. O dia que eu entreguei o HMC, aquele dia 18 de novembro de 2019, o ano dos 300 anos, foi a minha promessa para a população cuiabana. Aquele dia foi inesquecível, um momento único, histórico. A entrega da UPA Verdão, em plena pandemia, foi um momento, para mim, muito simbólico. O dia da pedra fundamental do Mercado Miguel Sutil foi um momento simbólico muito importante.

PNB Online – E em que momento desses oito anos de mandato o senhor sentiu tristeza em ser o prefeito e ter que tomar decisões?

Emanuel Pinheiro – Na pandemia, o fechamento do comércio, a imposição de regras que impediam a circulação das pessoas, aquilo fui violentado. Mas eu tive que tomar aquela decisão. Nós estávamos entrando em um túnel do desconhecido, ninguém sabia como enfrentar a pandemia, então a gente se pautava pelo Ministério da Saúde, pela Organização Mundial de Saúde. Então, aquelas decisões para mim foram as mais penosas porque eu sabia que estava interferindo na vida das pessoas, no ganho, no sustento de inúmeras famílias que dependiam do seu negócio, do seu comércio. Aquilo ali para mim foi um momento marcante, que eu tomei a decisão sem querer tomar. Foi muito duro.

PNB Online – O senhor perdeu algum parente na pandemia?

Emanuel Pinheiro – Perdi. Dois tios, marido e mulher, um dia depois do outro. No comecinho do segundo mandato, em fevereiro de 2021, morreu a minha tia Lysete [Lysete Maria Pinheiro Espósito]. Meu tio Carmine [Carmine Espósito], casados há mais de 55 anos, 60 anos. Ele faleceu num dia, ela faleceu no outro. Foram internados juntos. Foi muito duro, muito dramático. Frederico Campos, que não era meu parente, mas era um grande amigo, um grande líder. A Miriam [Miriam Pinheiro], minha prima. Eu perdi vários parentes, primos, amigos de infância, amigos muito ligados. Não foram poucas pessoas da nossa estima e da nossa convivência que perderam a vida na pandemia. Eu senti muito.

PNB Online – Certa vez entrevistei o coronel José Meirelles, que era vice-prefeito e assumiu a Prefeitura de Cuiabá quando Dante foi eleito pro Governo. O coronel Meirelles disse que enfrentou momentos muito difíceis na Prefeitura e que chegou a pensar em desistir, em renunciar ao cargo. O senhor, em algum momento, pensou em desistir por problemas que enfrentou ao longo da gestão?

Emanuel Pinheiro – Pensei em ficar mais tempo. Isso eu já pensei. Quando o Wellington Fagundes me ligou falando que apresentou no começo do ano a emenda à Constituição para possibilitar o terceiro mandato, se pudesse eu tentava. Mas isso [desistir] nunca passou pela minha cabeça. Pelo contrário, enfrentei as maiores perseguições, as maiores maldades, as maiores covardias de adversários políticos, inimigos políticos que tentaram me destruir, tentaram me tirar da cadeira de prefeito de Cuiabá sem motivação e sem motivo concreto algum. Enfrentei, resisti e, com a graça de Deus, venci. Porque fui eleito e reeleito pelo povo legitimamente e não fiz nada de errado, não mando fazer nada de errado para que pudesse sofrer tamanha perseguição e covardia. Isso que eu enfrentei. Eu lutei muito e graças a Deus consegui vencer e fazer valer a vontade popular.

PNB Online – Quando o senhor assumiu o mandato, em 2017, qual o senhor imaginava que seria o maior desafio como prefeito?

Emanuel Pinheiro – Eu achava que era o novo Pronto-Socorro, que se transformou no maior hospital público do estado, o HMC. Ali não é um Pronto-Socorro, é um hospital, não é nem municipal, é regional. Com a falência da saúde do Estado, o HMC se transformou num hospital regional. Então, o novo Pronto-Socorro, que se transformou no maior hospital público do Estado, foi um grande desafio, o maior deles talvez.

PNB Online – E qual será o maior desafio do próximo prefeito?

Emanuel Pinheiro – O maior desafio de gestão é manter o que vai receber do prefeito Emanuel Pinheiro,  dar sequência e ampliar, daí para melhor. O nível de qualidade que eu imprimi às obras, ações e projetos da minha gestão, a população cuiabana não vai permitir retrocesso. A população cuiabana não vai permitir mais um ônibus entregue, mesmo que seja zero quilômetro, sem ter ar condicionado. Não vai permitir mais entregar uma escola sem ar condicionado em todas as salas de aula. Não vai permitir aumento de tarifa no transporte coletivo, por qualquer motivo, como foi muito comum para todos os gestores. Não vai aceitar o fim da hora estendida nas unidades de saúde e nas unidades de educação infantil na nossa capital. Não vai aceitar mais obra meia boca, asfalto casca de ovo. Asfalto da minha gestão foi tudo com drenagem, meio-fio e calçada. Eu não faço asfalto meia boca, eu não faço obra meia boca. As obras nossas são estilo HMC: portentosas, imponentes, de alta qualidade. Cuiabá não nasceu para ser cauda, nasceu para ser cabeça. Cuiabá não nasceu para ser liderada, nasceu para liderar. É uma capital referência e tem condições de ser referência em gestão pública no nosso país. Então, esse resgate da autoestima do cuiabano e da cidade, que eu acho que vai ser um grande desafio porque o próximo prefeito vai ser muito cobrado. Vai ter a comparação. De gestão, seria esse desafio. E político, a articulação com o Governo do Estado. Mesmo sendo adversário político do ex-governador Pedro Taques, eu tive uma ótima relação com ele em dois anos de mandato, inclusive ele cumpriu 100% do compromisso com o HMC na época, passando uns R$ 50 milhões. Foi um parceiro que pensou em Cuiabá. E eu tentei de tudo com o atual governador Mauro Mendes, mas o ódio pessoal dele por mim atrapalhou muito. E eu acho que muita gente ajudou a fomentar essa discórdia, que para mim é muito ruim, independentemente de serem amigos, independentemente de se gostarem ou não, o prefeito de uma capital e o governador do Estado, eles têm obrigação, em nome do honroso cargo que ocupam, de sentar e discutir as ações em conjunto para melhoria da capital do Estado, para melhoria da população. Eu acho que esse é um grande desafio político que eu espero que ele vença. Eu me articulei bem com o Congresso Nacional, mas tive uma articulação muito sofrível com a Assembleia, Casa em que fui deputado por quatro mandatos, fruto dessa influência do próprio governador. Mas eu acho que essa articulação política é importante ele ter. Essa articulação política é um desafio que ele vai ter e precisará superar.

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PNB Online – Qual será o seu futuro a partir de 1º de janeiro de 2025?

Emanuel Pinheiro – Eu vivo tão intensamente a vida de prefeito que eu nem penso muito no dia 1º de janeiro. Eu não vou para o Palácio Alencastro.

PNB Online – Mas onde o senhor se vê daqui a 5 ou 10 anos?

Emanuel Pinheiro – De primeiro plano, só tem uma coisa na minha cabeça: honrar e cumprir todos os meus compromissos com a população cuiabana até 31 de dezembro, para poder mostrar, sair de cabeça erguida. Fiz o máximo, fiz o que pude, consegui cumprir muitas coisas, a maior parte daquilo que eu me comprometi, que eu prometi. E o que eu não pude cumprir, não pude cumprir por isso, isso e isso. E que o próximo faça e vou desejar sucesso e boa sorte.

PNB Online – O senhor não pensa lá para frente? Não tem um planejamento?

Emanuel Pinheiro – Daí para frente, eu sou advogado de formação, reabrir o meu escritório de advocacia. Sou servidor efetivo da Assembleia, tenho que voltar para a Assembleia Legislativa. Se der tempo de voltar a dar aula de Direito Constitucional, eu vou dar aula, mas não sei se vai ser possível. E vou continuar com o capital político de ex-prefeito de uma capital, de poder contribuir com a política de Cuiabá e de Mato Grosso, fazendo a boa política, construindo uma nova proposta alternativa para ser debatida em 2026. Eu quero colaborar com isso. Quero participar ativamente do trabalho do Emanuelzinho como deputado federal, ajudando aqui na base. Cuidar da minha família, cuidar da minha mãe. Quando você atinge essa dimensão política de prefeito da capital do seu estado, por duas vezes consecutivas ainda, você ganha uma dimensão política muito grande. Você vai tão alto, que você se torna mais desprendido. É o encontro da supremacia com a humildade. Conversei muito com o Fávaro [Carlos Fávaro], Emanuelzinho e Juca [deputado Juca do Guaraná] na construção desse novo projeto político para Mato Grosso, diferente do que está aí, que é centralizador, que não distribui riquezas, que pensa nos mais ricos, que administra para o capital e não para as pessoas. Nós pensamos um novo modelo dentro do potencial que o nosso estado representa com o agronegócio, mas que o agronegócio possa ser a locomotiva de uma política concreta de combate às desigualdades regionais e sociais no nosso estado. Nós temos vários Mato Grosso dentro de Mato Grosso. Temos o Mato Grosso, que é a ilha da fantasia, com cidades com IDH de primeiro mundo, e temos um Mato Grosso sem nenhuma perspectiva. Municípios que não têm fomento, não têm investimento, vivem de Carnaval, de futebol, de festas. Então isso é importante, culturalmente, mas isso não é o suficiente. E o agro, hoje, da forma como está a gestão política, a liderança estadual em Mato Grosso, você não distribui riquezas, você centraliza onde poucos têm muito e muitos, a maioria, tem pouco ou quase nada. Os benefícios do agro precisam ser socializados, como uma espécie de royalties. Dos 142 municípios, nós temos, se muito, 30 em uma situação econômica, financeira, de perspectivas econômicas melhor. E 80% são municípios com nenhuma ou poucas perspectivas econômicas de desenvolvimento. Então essa concentração de renda e esse Mato Grosso para poucos é um projeto que a gente quer combater, quer construir, para apresentar à sociedade mato-grossense e eu me estimulo com isso. Ah, mas e a sua candidatura nesse processo? Eu posso ser candidato a tudo, como posso não ser candidato a nada. O tamanho que eu alcancei como prefeito da capital por dois mandatos me dá a condição de ser candidato a tudo ou até a nada. É o desprendimento de ser candidato a nada por um projeto maior pelo meu Estado. Não saio a federal. Essa candidatura não existe porque eu já tenho meu candidato, que é o Emanuelzinho. Não saio a estadual, porque nós temos o Juca, que é um deputado que vem evoluindo. E eu estou ao lado do nosso companheiro, do nosso grupo político, do senador Fávaro, para construir esse novo projeto para o nosso Estado.

PNB Online – Prefeito, para a gente finalizar, como é que o senhor gostaria de ser lembrado nos livros de história?

Emanuel Pinheiro – Como um prefeito sonhador, um ufanista, apaixonado por Cuiabá, que sempre acreditou em Cuiabá, na garra dos cuiabanos, desde os seus primórdios, desde a sua história, da sua capacidade de sobrevivência no isolacionismo geográfico extraordinário ao longo de 250 anos, se apegando apenas à sua cultura, à sua arte, à fé cristã, especialmente católica. A gente viveu, construiu isso tudo entre nós mesmos, mas é uma cidade, um povo fantástico. E com o desabrochar de Cuiabá para o Brasil e para o mundo, Cuiabá se transformou numa cidade de referência, e eu quis colocá-la nesse mapa. Então, um prefeito sonhador, um prefeito idealista, um prefeito que acredita em Cuiabá, que acredita na sua gente, que fez de tudo para trazer o melhor para nossa cidade, para o melhor em termos de qualidade, o melhor em termo de primeiro mundo. Eu fui um lutador e quero ser lembrado como esse lutador, esse sonhador que brigou de toda forma, até com muita gente, mas por um único objetivo, por Cuiabá e para trazer o melhor para a Cuiabá e para a minha gente. Acho que eu gostaria de ser lembrado assim.

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