A deputada estadual Janaína Riva (MDB) e o secretário da Casa Civil do governo Mauro Mendes, o deputado federal licenciado Fábio Garcia (União), trocaram insultos e denúncias em vídeos que viralizaram nos últimos dias. Da altercação digital para o cidadão de Mato Grosso, sobraram algumas informações reveladoras do modo pouco republicano que o interesse público é tratado hoje no estado. Aos fatos que emergiram no bate-boca nas redes sociais:
1 – O secretário Fábio Garcia confirmou que o governo Mauro Mendes tem dois ritmos de prazo para pagar as emendas parlamentares. Para os aliados, o pagamento é a jato, para os deputados estaduais da oposição é a passo de cágado, paga quando quer, demorando o máximo possível. O interesse público da emenda em si é absolutamente desprezado. Um exemplo: uma emenda para patrocinar um evento, sendo de um aliado, é paga a jato. Uma emenda que destina recursos para a saúde pública de Cuiabá é paga a passo de cágado, se o parlamentar for da oposição. Ou seja, o cidadão que se exploda. A saúde pode esperar, se a emenda parlamentar for de um deputado da oposição ou de um aliado não-submisso. A explicação torta do secretário sobre a diferença da velocidade do pagamento para aliados ou oposição mostra a natureza de como os recursos públicos são submetidos aos interesses políticos e eleitorais. “O governo federal faz igual”, diz o secretário na sua confissão do procedimento nada republicano adotado pelo governo de Mato Grosso. A régua moral é do roto falando mal do esfarrapado.

2- A deputada estadual, Janaína Riva, usou no seu vídeo expressões racistas, as quais rapidamente pediu desculpas num segundo vídeo. Ela falou mais com o fígado do que com a cabeça, por isso errou politicamente ao atacar o mensageiro ao invés de brigar para cima, com dono da coisa. Ao brigar com Fabinho, Janaína deixou de lado o “sujeito oculto”: o governador Mauro Mendes. Até o Mural Bovinocultura, obra do artista Humberto Espíndola, no Palácio Paiaguás, sabe que Fábio Garcia cumpre rigorosamente as ordens do senhor governador. Não faz nada da cabeça dele, é um leal cumpridor de tarefas. Vale lembrar que na disputa pela vaga de candidato a prefeito de Cuiabá do União Brasil em 2024, a primeira dama, dona Virgínia Mendes, declarou publicamente que preferia Fabinho a Eduardo Botelho por ele ser “fiel”. Essa fidelidade, em óbvio, não é só no matrimônio, mas também fidelidade pessoal e política ao casal Virgínia e Mauro. A resposta forte de Fabinho a Janaína revelou que a disputa ao Senado está na rota de colisão entre a deputada e o governador. Fabinho declarou guerra à Janaína, a guerra de Mauro Mendes, por ter certeza de que a parlamentar é a sua maior adversária na disputa pelas vagas de Senador em 2026. Se Janaína insistir em brigar só com o mensageiro Fabinho, rebaixa a discussão a um bate-boca administrativo que interessa ao governo e ao governador.
3 – O senador Jayme Veríssimo de Campos (União) foi citado nos dois vídeos. No da Janaína ele é citado como testemunha da declaração do secretário Fábio Garcia que pagaria as emendas da deputada no modo passo de cágado, demorado e só quando quisesse. No vídeo de Fábio Garcia, implicitamente, ele aparece como um mentiroso, de falar algo que não teria acontecido. Cabe ao senador vir a público e defender a própria honra, defendendo a verdade dos fatos.
4 – Ao fim e ao cabo, uma questão técnica. O vídeo do secretário Fabinho com a fala acelerada é um case de como não fazer e divulgar um vídeo de uma figura pública. Passa a exata impressão de que o secretário não sustentaria a atenção do público numa fala em velocidade normal. O vídeo acelerado foi a forma tosca de dar mais tônus à performance do secretário da Casa Civil. Um tiro no pé.























