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EMPREENDEDORISMO

Empresária exalta a autoestima negra ao aliar negócio com propósito social

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Vivian Souza, proprietária do Espaço Afro, localizado no centro de Cuiabá (Foto: PNB Online)

Em um cantinho aconchegante e colorido no Calçadão Antônio Maria, no coração de Cuiabá, encontra-se um lugar especial, repleto de roupas, acessórios e histórias inspiradoras. É o Espaço Afro, uma loja com uma missão poderosa: empoderar e celebrar a cultura afro-brasileira. A mulher sorridente que nos recepciona logo na entrada do estabelecimento é Vivian Souza, uma empreendedora determinada e apaixonada pelo que faz.

Vivian é natural de Campinas, em São Paulo, mas vive há mais de três décadas em Cuiabá. Há pelo menos 22 anos, se dedica a encorajar a autoestima de pessoas negras, incentivando-as a amar e a admirar seus traços naturais. A missão, como conta Vivian, tem suas origens nos anos de 1980, quando ela ainda era uma criança marcada por experiências de preconceito relacionadas ao seu cabelo e à cor de sua pele. “A minha família rodava a cidade atrás de produtos para alisar o meu cabelo para que eu não sofresse preconceito. Na época, o pensamento era que era necessário alisar para poder cuidar, para ter o cabelo arrumado. Eu cresci a vida inteira achando que o meu cabelo nunca poderia ser grande”, relembra.

Foi nas tranças, muitos anos depois, que Vivian descobriu uma nova visão de si mesma e teve certeza que sua beleza natural era motivo de orgulho. Nesse sentido, a maternidade foi um divisor de águas. Somente após o nascimento de sua filha que ela decidiu que não precisava mais alisar seu cabelo. “Eu precisei ser mãe para conhecer a minha profissão. Quando eu mudei para Cuiabá, eu ainda alisava o cabelo, depois que eu tive minha filha que eu descobri que eu não precisava daquilo, do alisamento. Tudo começou quando aos nove meses da minha filha eu comecei a trançar os seus cabelos”, conta a empreendedora e trancista.

O desejo de promover aceitação e orgulho começou a ganhar vida quando Vivian e sua irmã decidiram levar suas habilidades para a Praça da República, por volta de 2003. Inicialmente, as irmãs iam à praça todas as sextas-feiras à tarde, atendendo seus clientes com hora marcada. Aos poucos, a demanda cresceu, e o que começou como uma simples sessão de tranças se transformou em uma jornada que durou 15 anos. Vivian trançou cabelos todos os dias, independentemente das condições climáticas ou dos olhares de desaprovação que ocasionalmente recebia. “Passavam pessoas torcendo o nariz por ser ‘coisa de preto’. Pessoas da nossa cor que às vezes diziam ‘ah, eu acho bonito, mas não combina comigo’”.

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Empreendedora conta que foi nas tranças que ela descobriu uma nova visão de si mesma (Foto: PNB Online)

Foi durante esses anos na praça que Vivian teve a visão de um espaço mais confortável e acolhedor para seus clientes, onde eles pudessem se sentir bonitos, felizes e inspirados. Assim nasceu o Espaço Afro, uma loja que oferece uma variedade de produtos, desde roupas a acessórios, turbantes e tecidos afro, onde os clientes podem não apenas trançar seus cabelos, mas também encontrar um lugar para se expressarem e se reconectarem com suas raízes. “É um refúgio onde os clientes chegam, compram uma roupa, fazem o cabelo, já querem passar uma maquiagem, se sentirem bonitos. Isso é muito gratificante para mim”, afirma Vivian.

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Atualmente Vivian conta três funcionárias fixas e todas são haitianas. (Foto: PNB Online)

Hoje, o Espaço Afro é um exemplo de negócio com propósito social. Além de oferecer produtos que despertam o empoderamento negro, o objetivo de Vivian vai além do aspecto comercial. Como compartilha conosco, seu compromisso também é com inclusão e construção de uma sociedade mais igualitária. “Eu quero sempre que a loja seja um espaço para acolher pessoas que vêm de fora. Atualmente tenho três funcionárias fixas e todas são haitianas. Também trabalho com parcerias e essas parceiras são mães que não podem sair de casa porque cuidam dos filhos. Então elas vêm, escolhem e levam os cabelos para trabalhar de casa”.

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Em relação à concorrência, Vivian adota uma postura cooperativa. Ela estabelece parcerias com outras profissionais do ramo, compartilhando clientes quando sua agenda está lotada. Com bom humor, ela brinca que os clientes devem retornar na próxima vez. Para Vivian, o comércio deve ser baseado na cooperação, especialmente em um setor como o seu, onde o aspecto social desempenha um papel importante.

 

Os desafios para a empreendedora negra

Apesar das alegrias e conquistas alcançadas, Vivian Souza ainda enfrenta desafios significativos na jornada empreendedora. Além das responsabilidades diárias, que vão desde a administração até as compras e viagens para adquirir produtos, Vivian também precisa lidar com o impacto do racismo no seu negócio. Essa realidade é refletida em números alarmantes, como revelado pela pesquisa “Empreendedorismo por Raça-cor (e sexo)”, divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no último ano.

Segundo a pesquisa, o rendimento médio das mulheres negras empreendedoras é 32% inferior ao das mulheres brancas empreendedoras no Brasil. Na contramão desse dado, mulheres negras representam uma parcela significativa do empreendedorismo feminino, sendo responsáveis por 49% dos empreendimentos de mulheres no país e 61% em Mato Grosso.

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Um estudo publicado este ano pela revista científica Future Journal, assinado pela professora Vânia Maria Jorge Nassif, psicóloga doutora em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que estereótipos são ameaças que influenciam negativamente os negócios de mulheres negras no

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Para Vivian, o sucesso da loja é medida pelo reconhecimento de seu público. (Foto: PNB Online)

Brasil, exigindo reflexões sociais e empresariais. A pesquisa aponta a necessidade de ampliar a discussão sobre as diferenças sociais e o preconceito racial. “É crucial avançar o entendimento de que todas as iniciativas devem contribuir para a redução da desigualdade de renda com ênfase para a população negra”, afirma a estudiosa.

Uma jornada de sucesso

Questionada sobre como mede o sucesso da loja, Vivian é rápida em responder: “ser reconhecida é motivo de muita alegria e é resultado de muito esforço”. Recentemente, o Espaço Afro recebeu um importante reconhecimento ao ser premiado no Prêmio Jejé de Oyá, o maior evento de destaque da atuação de pessoas negras em Mato Grosso. A premiação só foi possível graças ao prestígio dos muitos clientes fiéis, garante Vivian.

Ton dos Santos e Dhalyla Santos, dois clientes do Espaço Afro, compartilham suas experiências e enfatizam a importância de encontrar uma loja que celebra a estética afro. Para Ton, o encontro com o Espaço Afro ocorreu por meio de uma busca no Google, enquanto procurava por locais que oferecessem penteados afro, como as tranças nagô. Dhalyla, por sua vez, encontrou a loja através do Instagram, motivada pela insatisfação com seu próprio cabelo.

Ambos concordam que é fundamental ter um espaço que ofereça produtos e serviços que valorizem a estética afro. Para eles, a valorização vai além da aparência: é um reconhecimento necessário da presença e importância daqueles que descendem das comunidades originárias do Continente Mãe.

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