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CONGRESSO AMBIENTAL

Governos ignoram realidades do Pantanal e tomam decisões erradas, critica Wilson Santos

Deputado observou que a falta de conhecimento leva a decisões prejudiciais ao bioma, tomadas sob pressão de interesses econômicos.

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Governos ignoram realidades do Pantanal e tomam decisões erradas, critica Wilson Santos (Foto: ALMT)

Durante a abertura do V Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas, realizado em Cuiabá nesta quarta-feira (16.10), o deputado estadual Wilson Santos (PSD) fez  críticas ao desconhecimento do Pantanal por parte dos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo o parlamentar, a falta de conhecimento leva a decisões prejudiciais ao bioma, tomadas sob pressão de interesses econômicos.

“O governo de Mato Grosso não conhece o Pantanal. O de Mato Grosso do Sul também não. Acabam tomando decisões baseadas em setores que pressionam mais e, consequentemente, acabam tomando decisões erradas”, afirmou Santos em seu discurso na abertura do evento, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP). O congresso, que vai até sexta-feira (18.10), tem como foco os impactos humanos no bioma em tempos de crise climática.

Entre os pontos abordados, o deputado destacou a luta contra a construção de hidrelétricas na bacia do Rio Cuiabá, uma região considerada “zona vermelha” para empreendimentos desse tipo, segundo um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA). Apesar da aprovação de uma lei que proibia tais construções, o deputado lamentou que o governo estadual tenha recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde a lei foi derrubada.

“A qualquer momento pode surgir uma decisão judicial autorizando a construção de seis hidrelétricas no Rio Cuiabá, em uma extensão de apenas 190 km. Isso será devastador para o Pantanal. É preciso que os governantes ouçam os cientistas e especialistas, não apenas os interesses econômicos”, disse o parlamentar.

Santos também criticou o veto do governador a um projeto de lei, de sua autoria e do deputado Júlio Campos, que criava uma autoridade climática para Mato Grosso. Ele lamentou que, apesar da ampla aprovação do projeto na Assembleia Legislativa, o governo estadual não tenha dado prioridade ao tema.

A fala do deputado ocorre em meio a uma crescente preocupação com a preservação do Pantanal. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam um aumento de 1.240% nos focos de queimadas no Pantanal entre 1º de janeiro e 14 de outubro de 2024, em comparação com o mesmo período do ano passado. Santos destacou que a degradação do bioma não se limita à região.

(Foto: Safira Campos / PNB Online)

“O Pantanal só vai existir se preservarmos as nascentes, que estão fora dele. Precisamos proteger áreas como Chapada dos Guimarães, Nobres, Tangará da Serra, que são determinantes para a alimentação dos rios que abastecem o Pantanal.”

O deputado também cobrou ações do governo federal, pedindo que o Fundo Amazônia, usado para financiar projetos de preservação da Amazônia, seja estendido ao Pantanal. Segundo ele, sem recursos financeiros, as iniciativas de proteção ambiental ficam apenas no campo das ideias.

Ao longo do evento até a sexta-feira (18.10), serão realizadas palestras, videoconferências, apresentação de pôsteres, oficinas, mesas redondas e outras atividades sobre a conservação de áreas úmidas de todo o planeta.

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