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Grupo interpreta clássico da cumbia em versão genuinamente brasileira

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Orquestra Atípica de Lhamas

A criação de uma nova e definitiva cumbia brasileira. É o que propõe o grupo Orquesta Atípica de Lhamas, ou os Lhamas, como é carinhosamente chamado pelo público, ao lançar como single uma nova interpretação do clássico peruano Cariñito. Com a cara do Brasil, a versão reúne a formação típica da orquestra de cumbia, caracterizada pelos sopros e percussões, com o peso dos blocos carnavalescos e o timbre rasgado da guitarra baiana. 

 

É o que conta o músico Carlos Bolívia, integrante das Lhamas, grupo que nasceu no carnaval das ruas de Belo Horizonte em 2017. Conforme o artista, a versão do clássico, que conta com a participação da cantora Luísa Nascim e do coletivo de produtores MGZD, faz esse ritmo soar brasileiro com a maneira com a qual é interpretada, na esteira do que outros cantores pop brasileiros já estão fazendo. “Porque para ter essa cara brasileira, você não precisa tocar necessariamente samba, forró, você pode tocar outros ritmos”, afirma. 

 

A ideia do lançamento partiu do músico Pablo Fidel, integrante do importante grupo argentino de cumbia La Delio Valdez, que lançou às Lhamas o desafio, diante do interesse do grupo brasileiro em gravar a primeira interpretação brasileira de Cariñito: ao invés de tocarem tentando soar como músicos peruanos, por que não gravar uma versão genuinamente brasileira?

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“O resultado dessa alquimia é uma cumbia totalmente nova, com elementos da música nordestina, do funk e do pop brasileiro alternativo, todos manipulados e combinados com refinamento e suingue pelos envolvidos no experimento. Um novo fruto tropical, que marca com classe o início de novos caminhos para a música brasileira e que merece ser celebrado, afinal, não é sempre que um gênero tão explorado como a cumbia se manifesta de forma inaudita”, define o grupo. 

 

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Carlos observa que há atualmente um interesse latente de artistas brasileiros pela integração latino-americana e pelos clássicos produzidos no continente. “Vemos esforços como BaianaSystem, os carnavais sempre com um bloco de cumbia ou outro ritmo latino, Anitta com reggaeton, por exemplo. E isso de resgatar os clássicos é algo natural desse movimento. Cariñito é um dos maiores clássicos do continente, que salta aos olhos. Com  algumas décadas de atraso, vamos cultuar essa música. É um movimento óbvio porque se a gente não conseguir dialogar naquele momento, uma hora nós vamos descobrir essas pérolas”, afirma.    

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Ele concorda que há uma barreira posta entre o Brasil e a cultura do restante da América Latina, especialmente quando o olhar é voltado para a indústria fonográfica mainstream no eixo sudeste. A grandiosidade do país, entretanto, mostra que diversas regiões do Brasil relacionam-se muito proximamente com o que é produzido nos países vizinhos. 

 

“O que acontece é que não dá para generalizar o Brasil, porque o país é muito grande. Por exemplo, a região amazônica já conhece a cumbia há muito tempo. Ela está ligada a isso com o calypso, com merengue, ritmos caribenhos, em razão de rádio de onda curta que chegava à região. Mato Grosso, que está no coração do continente, tem uma aproximação com a guarânia, que também é tradicional no Paraguai, no norte da Argentina, na Bolívia”, explica.  

 

A música está disponível e pode ser conferida tanto no Spotify quanto no Youtube. A expectativa é que um videoclipe possa ser gravado no próximo carnaval, em Belo Horizonte. A agenda de apresentações e lançamentos da Orquesta Atípica de Lhamas pode ser conferida nas redes sociais, por meio do perfil do grupo no Instagram

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