A juíza da Primeira Vara Federal de Campinas, Raquel Coelho Dal Rio Silveira, estabeleceu medidas cautelares contra os 16 alvos da Operação Hermes II, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (08.11). A magistrada negou o pedido de prisão, mas impôs o pagamento de fiança no valor de R$ 264 mil e o recolhimento de passaportes. Dentre os alvos está o filho do governador Mauro Mendes (União), Luis Antônio Taveira Mendes.
Na mesma decisão que impôs as medidas cautelares, a magistrada determinou o bloqueio de R$ 2,9 bilhões de bens dos alvos da operação. Nesta quarta foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá, Poconé, Peixoto de Azevedo, Cáceres, Alta Floresta, Pontes e Lacerda, Nossa Senhora do Livramento e Nova Lacerda, além dos estados do Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo.
“Os elementos colhidos durante a primeira parte da investigação e compilados de modo minucioso na representação policial e pelo acima descrito, reforçam o enriquecimento ilícito de todos os envolvidos, ao menos com lucros obtidos em razão da comercialização ilegal de mercúrio e sua utilização no garimpo, gerando, por consequência, a ilícita produção de ouro. Nota-se que, para além dos investigados já identificados na primeira fase da operação, novos indivíduos e empresas foram relacionados, pela autoridade policial, demonstrando seus envolvimentos e conhecimentos da atividade ilegal”, ponderou a juíza na decisão.
Mercúrio ilegal
A primeira fase da Operação Hermes foi realizada em dezembro de 2022 e teve como alvo outros empresários. A segunda fase visa aprofundar as investigações e identificar provas do funcionamento do esquema. Segundo a PF, os envolvidos utilizavam empresas de fachada e laranjas para movimentação dos valores. O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, era usado para o transporte do mercúrio ilegal.
A operação partiu da investigação contra uma empresa de Paulínia, em São Paulo. Segundo a Polícia Federal a empresa “favoreceu um dos maiores esquemas de uso ilegal de mercúrio”.
De acordo com a Polícia Federal, a companhia fazia uso de suas atividades autorizadas para produzir créditos falsos de mercúrio no sistema do Ibama.
Os delegados da PF detalharam, em coletiva de imprensa, como funcionava o suposto esquema criminoso:
Fornecedores: empresas que geravam créditos falsos de mercúrio no sistema do Ibama. Grande parte da origem do mercúrio chegava via Bolívia, México e Guatemala.
Sócios: uma cadeia especializada em Mato Grosso voltada para distribuição do mercúrio.
Financiadores: volume de circulação era tão grande que o principal investigado e o sócio não tinham montante para investimento e, por isso, procurou pessoas próximas para financiar a compra do mercúrio. O objetivo era não deixar o esquema parar.
Operacionais: responsáveis por fazer o transporte do mercúrio.
Compradores finais: São as mineradoras, que procuravam o distanciamento dos vendedores de mercúrio. Por isso, tinha a função do intermediário ou comissionado.
Ainda segundo a PF, os crimes em apuração estão relacionados ao contrabando e acobertamento do elemento químico, que tinham como destino o abastecimento de garimpos em áreas que compõem a Amazônia (Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará).
“São funcionários dos mineradores ou pessoas avulsas que fazem o meio de campo entre o grupo criminoso e as mineradoras. O objetivo final era se distanciar ao máximo da cadeia criminosa, uma vez que todo mundo sabia que o produto negociado era ilícito”, finalizou o delegado responsável pela investigação, Dalton Marinho
Primeira-dama se manifesta
A primeira-dama Virgínia Mendes se manifestou sobre o caso em suas redes sociais. “Repudio toda e qualquer maldade contra o meu filho, estão usando de má-fé o nome dele, onde na verdade querem atingir o pai”.
Na publicação em seu perfil do Instagram, a primeira-dama, que acompanha o governador Mauro Mendes (União) em missão na China, disse ainda que “foi muito dolorido receber essa notícia, queria muito estar ao lado do meu filho neste momento tão cruel, chorei muito”.
A defesa de Luis Antônio Taveira Mendes também foi procurada pela redação do PNB Online, mas até o momento não se manifestou.























