
Júlio Strübing Müller Neto foi mais do que um médico e um gestor público; ele é um visionário cuja trajetória transformou a saúde pública Cuiabá e em Mato Grosso. Nascido em 1949, em Campo Grande (MS), Júlio carrega em seu DNA a vocação para o serviço público, sendo filho de Augusto Frederico Müller e Arminda Tomé. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) em 1973 e com doutorado em Saúde Pública pela Fiocruz, ele rapidamente se destacou como um dos grandes pensadores e executores das políticas de saúde mato-grossenses.
Júlio atuou em cargos de extrema relevância ao longo de sua carreira. Como secretário de Saúde da Prefeitura de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso, nas gestões de Dante de Oliveira, ele foi um dos principais responsáveis por pensar o que viria a ser o Sistema Único de Saúde (SUS) antes mesmo de sua implementação oficial em 1988.
O deputado estadual e médico Lúdio Cabral, candidato à prefeitura de Cuiabá, é enfático ao afirmar que Júlio Müller foi fundamental na construção da saúde pública que Mato Grosso conheceu. “Cuiabá já foi referência na segunda metade da década de 1980 e na primeira metade da década de 1990. Quem fez isso foi um médico sanitarista importantíssimo e qualificadíssimo que é o professor Júlio Müller”, disse.
“Antes do SUS existir, Júlio Müller começou a desenhá-lo em Cuiabá ainda na década de 1980”, relembra Lúdio, ao destacar a visão de futuro de Júlio em uma época em que o conceito de saúde pública era ainda incipiente no Brasil. “Nós temos que recuperar isso e trazer de novo, com novidades, ideias novas, com ação para fazermos da nossa saúde em Cuiabá melhor saúde do Brasil”.
Essa capacidade visionária é reconhecida por muitas outras figuras públicas. Antero Paes de Barros, jornalista e ex-secretário de Governo de Mato Grosso, foi um dos que testemunharam de perto o impacto das ações de Júlio Müller. “O Dante de Oliveira montou um bom secretariado, mas gênio no secretariado só tinha um: o Júlio”, comenta Antero, lembrando com reverência o papel central que Júlio Müller desempenhou na transformação da saúde pública em Cuiabá e no estado.
Antero ainda lembra que Júlio não se contentava em apenas seguir o caminho traçado; ele queria inovar, trazer soluções que realmente impactassem a vida das pessoas. “Júlio estava tão à frente do seu tempo, que naquela época ele tinha como slogan que administrar a saúde era levar a saúde até você. Era descentralizar. Foi com Dante, e, portanto, com Júlio, que ganhamos as três primeiras policlínicas de Cuiabá”, diz. As policlínicas do Planalto, Verdão e Coxipó são apenas alguns dos legados da gestão de Júlio, que ainda hoje beneficiam a população local.
Pedro Pinto de Oliveira, jornalista e professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), recorda a preocupação constante de Júlio em não apenas administrar a saúde, mas em garantir que a população compreendesse seus direitos e tivesse acesso ao que lhe era devido.
“Fomos colegas secretários de estado no governo Dante. Ele uma vez me pediu para a Comunicação produzir um documentário sobre o SUS, sempre preocupado em mostrar para as pessoas o serviço de saúde decente e de qualidade a que tinham direito por lei”, relata Pedro.
“O Júlio queria dar o título de “SUS desconhecido”. Eu disse que, claro, produziria o documentário para ele, mas mudando o título para ‘SUS reconhecido’. Expliquei que a Comunicação daria ênfase não às dificuldades, mas à potência do sistema público de saúde para a população. Dar a conhecer os direitos e serviços de saúde que estavam sendo entregues. Um médico que liderou uma verdadeira revolução na saúde pública, e com uma extraordinária cabeça política”, conta.

Júlio Müller também é um homem de princípios inabaláveis, como relembra Antero Paes de Barros. Ele nunca aceitou indicações políticas que não fossem pautadas pela competência técnica e pelo interesse público. Por isso, sua atuação não esteve isenta de desafios e críticas. Sua insistência pela rejeição de indicações políticas, embora elogiadas por alguns, também geraram tensões.
Antero Paes de Barros recorda um episódio emblemático que mostra o comprometimento tão conhecido de Júlio Müller. Na época em que Antero era secretário da Casa Civil, uma bancada política pressionou pela demissão de um servidor da Secretaria de Saúde, alegando que ele não havia votado no grupo político de Dante de Oliveira.
Júlio, no entanto, foi categórico em sua recusa, deixando claro que não aceitaria tal interferência política. Ele afirmou que renunciaria ao cargo se a demissão fosse levada adiante, ressaltando que o servidor sempre havia desempenhado um trabalho exemplar. Dante de Oliveira apoiou a posição de Júlio, já que concordava que cargos públicos devem ser ocupados com base no mérito e na contribuição para a sociedade, e não por interesses políticos. “Foi agindo dessa forma que ele sempre teve o respeito de todos, porque sempre respeitou todos, inclusive a oposição”, relembra Antero.






















