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COMUNICAÇÃO E POLÍTICA

Lula e o desafio do ministro-marqueteiro no Palácio do Planalto

O presidente Lula terá a partir de agora um profissional de comunicação à frente da Secom do governo federal no lugar de um político profissional. O que pode mudar? Talvez nada, se o ministro-marqueteiro não tiver voz de comando dada pelo presidente da República.

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(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A comunicação é algo que todo mundo acha que entende, mas no caso de um governo a babel de opiniões conflitantes e a luta interna pelo poder acabam transformando a comunicação de solução em apenas só mais um problema de gestão. Não vira nada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu colocar à frente da comunicação do governo, como ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, o publicitário baiano Sidônio Palmeira. É o marqueteiro de campanha eleitoral que assume o comando do dia a dia da comunicação do governo. São trabalhos rigorosamente diferentes, e ambos com seus desafios próprios.

Alguns dos desafios postos para Sidônio na passagem de marqueteiro de campanha para ministro da comunicação:

– Mostrar o óbvio para os integrantes do governo e do seu entorno político: a comunicação é parte, parte do tripé que sustenta qualquer corporação. Como ensinou o velho marqueteiro Duda Mendonça, a comunicação depende da ação administrativa, o que o governo faz, e do discurso, o que o governo quer e precisa comunicar. Sem ação eficiente e sem discurso inteligente, a comunicação não pode nada. Ou seja, a comunicação não supre a falta de política.

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– Existem prefeitos, governadores e presidentes que acham que sabem tudo sobre comunicação, atrapalham mais do que ajudam. Existem ainda os piores: prefeitos, governadores e presidentes que tem certeza de que sabem tudo, tudo sobre comunicação. Na maioria dos casos às vezes falta o principal, saber ouvir, saber dialogar e entender que a opinião formada sobre tudo é um veneno doméstico que mata a comunicação de qualquer gestão.

– No caso de Sidônio, o presidente Lula precisará avisar claramente ao governo e ao PT que quem manda na comunicação a partir de agora é o novo ministro. Ele precisa ser a voz do dono, a voz do presidente. E o próprio presidente precisa dar esta lição de inteligência política: as ideias podem e devem ser debatidas, mas a palavra final da política de comunicação tem que ser do ministro. Sem o poder de decisão final, o ministro-marqueteiro vira uma figura decorativa, queimando ao sabor do fogo amigo.

Em tempo: na secretaria executiva da Secom do governo federal, segundo cargo mais importante da pasta, o também publicitário Thiago César assumirá no lugar do advogado Ricardo Zamora.

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Sidônio Palmeira atua há décadas em campanhas políticas, incluindo a vitoriosa eleição de Lula em 2022, e a de políticos baianos do PT, como Rui Costa e Jacques Wagner. Palmeira vai tomar posse no cargo no início da semana que vem, em cerimônia no Planalto.

Boa sorte, Sidônio.

Pedro Pinto de Oliveira* é jornalista do PNB Online e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.

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