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Maria João Silveirinha: o peso das desigualdades entre mulheres e homens

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Maria João Silveirinha

 

Parafraseando o jornalista Antero Paes de Barros: “é preciso deixar claro”. Claramente digo com muita satisfação que a professora Maria João Silveirinha e o professor João Carlos Correia são minhas referências de Portugal no campo dos estudos em Comunicação. Ter uma entrevista da professora Maria João no podcast Comunicação, Cultura e Ciência do PNB Online é motivo de  muita alegria. E de certeza de que os internautas, público em geral e/ou pesquisadores, estarão em muito boa companhia, ouvindo belas reflexões da professora. O Feminismo é o tema central da entrevista. Ela destaca em suas reflexões conflitos que atravessam o nosso cotidiano e as construções sociais e desigualdades hierárquicas que, lamentavelmente, ainda produzem diferenças entre mulheres e homens.

 

O conteúdo do podcast é parte do projeto de mestrado de Julia Gabriella Nogueira Munhoz no Programa em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da UFMT, com o título “As novas formas de cultura de comunicação do agronegócio: um estudo de caso sobre o movimento agroligadas”. A produção do podcast acadêmico é uma experiência do uso desse formato de comunicação aplicado ao processo de construção de conhecimento científico.

 

Ouça o podcast Comunicação, Cultura e Ciência no final da matéria 

 

Professora doutora em Ciência da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e associada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação, Maria João Silveirinha, situa: a ideia do que é ser mulher ou ser homem é criada e aplicada através das expectativas da própria sociedade, por meio dos vários aspectos de construção social, como normas, comportamentos, papéis socialmente definidos e a comunicação.

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“Isso nos leva aquela velha discussão do fato das pessoas nascerem com um sexo, que já sabemos que pode ser mulher ou homem e hoje já com outra consciência, sabemos que pode ser até intersexual já que há bebês que nascem com os dois sexos, mas as pessoas nascem com esse sexo e depois aprendem. Na interação os bebês e as crianças aprendem na interação com os adultos, com a escola e até com a própria religião e certamente muito com algo que, dentro da área que eu trabalho é muito importante, que é a mídia que nos ensina a nos comportarmos como homens ou como mulheres”.

 

 

“Estes conceitos de ser homem ou ser mulher são ensinados por todos esses meios, por todas essas instituições, mas antes começam logo pelas nossas mães e nossos pais à medida que nós aprendemos a língua, e a comunicação aqui é importante”

Conceitos, que segundo a professora, começam primeiro através da linguagem transmitida na relação familiar. “Estes conceitos de ser homem ou ser mulher são ensinados por todos esses meios, por todas essas instituições, mas antes começam logo pelas nossas mães e nossos pais à medida que nós aprendemos a língua, e a comunicação aqui é importante. Aprendemos, por exemplo, na língua portuguesa a separar o masculino e o feminino e atribuir, digamos, um gênero masculino e feminino às coisas. Depois aprendemos também a forma como sentar, a forma como falamos, nos termos que usamos. Por tanto, depois tudo isso vai evoluindo ao longo da sociedade o modo como interagimos com a sociedade e suas diferentes instituições”.

 

Outro aspecto apontado pela professora é a desigualdade hierárquica entre homens e mulheres. Essa relacionada a uma construção histórica e que parece não evoluir com o tempo, mesmo diante das mudanças sociais experimentadas a partir da ciência e do advento da tecnologia.

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Ouça o podcast Comunicação, Cultura e Ciência no final da matéria 

 

“Mas mesmo sabendo nós dessa variação que é evidente que existe ao longo do tempo e também da própria variação cultural no mesmo tempo, de lugar para lugar existe variação, dentro do que se entende como mulher e homem e, apesar dessas variações horizontais e longitudinais no tempo, a verdade é que nos parece que existe uma constante, uma constante que depois vai vestindo várias roupagens, mas essa constante são as desigualdades hierárquicas que são produzidas quando falamos de gênero. E essas desigualdades depois cruzam-se com outras desigualdades sociais e econômicas. Essa é constante, histórica, a desigualdade existe historicamente. Os papéis podem ir mudando, vão variando, mas essa desigualdade é constante, que nos faz aqui estarmos a falar ainda hoje, no século 21”.

 

O podcast de construção científica tem uma dupla utilidade: para as pesquisadoras e pesquisadores, serve como referência na captação de depoimentos, coleta de dados para a pesquisa. E para o público que ouve, além dos pares da academia, serve para conhecer temas do cotidiano que estão sendo estudados, dando a ver/ouvir do que se ocupam os cientistas.

 

*Pedro Pinto de Oliveira. É jornalista do PNB Online. Doutor em Comunicação pela UFMG. Pós-Doutorado em Comunicação e Artes pela Universidade da Beira Interior (UBI), Portugal. Professor e pesquisador associado do ECCO e do PPGCOM, ambos da UFMT.

 

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