O governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos), deu mais uma declaração infeliz, um sincericídio que vai custar ainda mais desgaste à sua imagem pública. Ele confessou que o governo Mauro Mendes não quer e não vai deixar a Assembleia Legislativa aprovar nenhuma CPI para investigar nada, nem a maior vergonha hoje de Mato Grosso: a escalada de feminicídios. A frase do governador Otaviano:
“O governo é intransigente com a violência, especialmente com violência doméstica. Não existe um caso em que os autores não estão presos, nós precisamos governar Mato Grosso com relativa tranquilidade. Nossa intenção é boa, publicamente notória. Temos uma base na Assembleia que ajuda o governo a governar. Toda CPI atrapalha trabalhos, para nós que temos intenções de produzir mais resultados, queremos o mínimo de paz para trabalhar”, disse o governador.
A criação da CPI foi barrada, mais uma. Em óbvio, a discussão da CPI não é para discutir quantos feminicidas foram presos. O debate que tira a tranquilidade do governo não é esse. A investigação que caberia aos parlamentares é para saber quais investimentos o governo tem feito para reduzir os índices que colocam Mato Grosso como o estado que mais mata mulheres e o que precisa ser feito. A proposta de reduzir a CPI a uma Mesa Técnica é uma manobra para esvaziar a investigação que interessa diretamente as mulheres.
Não dá para o governo fazer propaganda de orgulho. Mato Grosso carrega a mancha vergonhosa de estado bicampeão de matança de mulheres. Uma mancha feita com o sangue das mulheres assassinadas. Não dá para a cada morte de uma mulher em Mato Grosso, o governo exiba uma consternação de fachada nas redes sociais, escrevendo mensagens do tipo “até quando?”.
A fala infeliz do governador Otaviano, que a CPI impediria o Governo de “trabalhar em paz”, é um soco na cara das famílias das vítimas, das mulheres que foram assassinadas pelos homens. Dizer que o governo quer paz para trabalhar diante deste cenário de matança de mulheres é uma fala machista. Mostra como o vice, candidato declarado a governador, trata a questão. É quase como dizer: fiquem quietas mulheres, queremos trabalhar e vocês estão nos atrapalhando.
De resto, os parlamentares que ajudaram a derrubar mais esta CPI ficam devendo explicações à sociedade, certamente serão cobrados por isso na eleição de 2026. Por que estão contra as mulheres de Mato Grosso? Covardia? Medo? O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi, afirmou que CPI exige coragem, decisão de enfrentar o governo. “Se eu proponho uma CPI eu não vou me reunir com o governo, você tem que fazer um enfrentamento”, afirmou Max, destacando os atributos que cabem a um parlamentar no exercício do mandato: coragem, inteligência e compromisso público.
Em tempo, a CPI do Escândalo dos Consignados também foi morta pela ação política do governo Mauro Mendes. É um governo matador de CPIs.






















