Há experiências que não terminam quando chega ao fim o período que as tornou possíveis. Elas permanecem em nós, modificam nosso olhar e acrescentam novos sentidos àquilo em que sempre acreditamos. Ter sido candidata ao Governo de Mato Grosso foi, para mim, uma dessas experiências.
Durante toda a minha vida profissional, aprendi a olhar para as pessoas. Fiz isso na medicina, no ensino, no serviço público, na gestão e na convivência diária com tantas famílias. Mas percorrer Mato Grosso como candidata a governadora me proporcionou uma forma diferente de conhecer ainda mais o estado onde nasci e construí minha história.
Estive em cidades grandes e pequenas, atravessei diferentes regiões, conversei com pessoas que vivem realidades muito distintas. Ouvi profissionais da saúde, professores, trabalhadores, empresários, produtores, mulheres, jovens, mães e pais de família. Encontrei sonhos, preocupações, dificuldades e, sobretudo, uma enorme vontade de construir uma vida melhor.
Mato Grosso é um estado de dimensões extraordinárias. É forte, diverso, produtivo e capaz de gerar riquezas que impressionam o Brasil e o mundo. Mas essa caminhada reforçou em mim uma convicção: o verdadeiro desenvolvimento precisa ser percebido na vida das pessoas.
Precisa chegar à mãe que espera atendimento para o filho, ao paciente que aguarda uma consulta ou um exame, ao jovem que procura uma oportunidade, à família que precisa de segurança, ao trabalhador que deseja viver com dignidade e a quem mora longe dos grandes centros e tem o mesmo direito de ser alcançado pelas políticas públicas.
Foi por isso que, durante toda a campanha, falei tanto sobre cuidar de gente. Para mim, nunca se tratou apenas de uma frase. É uma maneira de compreender o papel do poder público e, antes disso, uma maneira de enxergar a sociedade. Governos administram números, orçamentos, obras e estruturas, mas tudo isso só encontra seu verdadeiro sentido quando melhora a vida das pessoas.
Viver essa experiência sendo mulher teve, para mim, um significado especial. Fui a única mulher entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso e tive consciência da responsabilidade que isso representava. Em muitos lugares, encontrei mulheres que se aproximavam para conversar, contar suas histórias e dizer o quanto era importante se reconhecerem nos espaços onde as grandes decisões são tomadas.
Carrego comigo cada uma dessas manifestações com gratidão. A presença das mulheres na vida pública não deveria causar estranhamento nem precisar ser tratada como exceção. Mulheres têm experiência, conhecimento, capacidade de liderança e diferentes maneiras de contribuir com as decisões que definem os caminhos de uma sociedade. Que cada vez mais possam estar onde desejarem estar.
A campanha me permitiu falar, mas, principalmente, a ouvir. E talvez esteja aí um dos maiores aprendizados dessa caminhada. Quando ouvimos verdadeiramente as pessoas, percebemos que por trás de cada grande discussão sobre desenvolvimento existem vidas concretas esperando respostas concretas.
A eleição passou. O que ouvi, vi e aprendi permanece.
Continuo acreditando no potencial imenso de Mato Grosso e, principalmente, na capacidade de sua gente. Acredito em um estado que possa crescer economicamente sem perder de vista sua responsabilidade social; que transforme riqueza em oportunidades; que tenha uma saúde pública de qualidade e mais acessível, uma educação transformadora verdadeiramente capaz de abrir caminhos e políticas públicas que alcancem as pessoas onde elas vivem e melhorem a vida das mesmas.
Desejo o melhor para Mato Grosso. Desejo que nosso estado avance, que faça boas escolhas em favor de sua população e que cada conquista econômica possa se traduzir em mais qualidade de vida. Estarei acompanhando seus caminhos com a mesma atenção e o mesmo sentimento de responsabilidade que sempre fizeram parte da minha trajetória.
Desejo o mesmo ao Brasil. Um país capaz de reconhecer sua diversidade, reduzir desigualdades, gerar oportunidades e construir perspectivas para as próximas gerações. Um país em que possamos divergir sem perder a capacidade de dialogar e no qual o interesse coletivo sempre esteja acima das diferenças que naturalmente fazem parte de uma democracia.
Não sei quais caminhos a vida ainda colocará diante de mim, e não é necessário antecipá-los. Algumas certezas são suficientes.
Uma delas é o amor por esta terra. Outra é a confiança nas pessoas que a constroem todos os dias. E talvez a mais importante seja a convicção que ficou ainda mais forte depois de tudo o que vivi: Mato Grosso será tão grande quanto for a sua capacidade de fazer sua riqueza chegar às pessoas.
É nesse Mato Grosso que continuo acreditando. Por aqui só gratidão.
Natasha Slhessarenko é médica, professora, servidora pública e empresária em Mato Grosso

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























