Uma grave crise financeira atinge os profissionais de saúde do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que estão sem receber seus salários integralmente há quatro meses. Segundo denúncia encaminhada à imprensa, médicos e enfermeiros enfrentam atrasos recorrentes, descumprimento de contratos e um clima de intimidação ao tentar reivindicar seus direitos. Na avaliação dos denunciantes, cerca de 60 médicos estão sem receber.
De acordo com a denúncia, os médicos receberam, em abril, apenas os vencimentos referentes a janeiro. Desde então, nenhum novo pagamento foi realizado. Já os enfermeiros, além dos atrasos, não estão recebendo o valor integral previsto em contrato, e o teto salarial previsto em lei, violando acordos trabalhistas e prejudicando sua subsistência.
Silêncio e intimidação
A situação é agravada pela falta de transparência da empresa Family Medicina e Saúde, que contrata os médicos de maneira terceirizada. Profissionais relatam que tentativas de questionar os atrasos são recebidas com ameaças veladas, criando um ambiente de medo e silêncio dentro do hospital. Não há representantes oficiais se manifestando sobre o caso, e as tentativas de diálogo por parte do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem têm sido ignoradas.
A denúncia alerta para um “colapso silencioso” na saúde pública de Cuiabá. Mesmo sem receber, muitos profissionais continuam trabalhando por compromisso com a população, mas a situação insustentável pode levar a uma paralisação dos serviços, segundo os denunciantes.
O que diz a Prefeitura de Cuiabá
Por meio de nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que pagou a empresa Family o valor do salário referente ao mês de março, no valor de R$ 552 mil. A prefeitura afirmou que os pagamentos referentes ao mês de abril e maio estão no cronograma.
A Prefeitura de Cuiabá informa que já efetuou o pagamento à empresa Family referente ao mês de março de 2025, no valor de R$ 552.346,22. Os pagamentos correspondentes aos meses de abril e maio já estão no cronograma financeiro da Secretaria Municipal de Saúde e serão realizados conforme a disponibilidade orçamentária.
Na semana passada, a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) teve seu CNPJ bloqueado por débitos previdenciários herdados da gestão anterior, referentes aos anos de 2022 a 2024. Essa restrição impediu temporariamente a realização de pagamentos e repasses, inclusive da folha salarial, que precisou ser quitada de forma emergencial pela Secretaria Municipal de Saúde.
Em relação à nota fiscal pendente referente a novembro de 2024, trata-se de uma despesa não quitada pela gestão anterior. Como é uma despesa de exercício anterior, será analisada com base nas regras do Decreto de Calamidade Financeira vigente, com previsão de parcelamento após o término da vigência do decreto.
Com a regularização das contas, os pagamentos pendentes estão sendo retomados gradualmente.
























