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Moralização

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Às vezes queremos fazer o universo caber dentro do nosso pensamento. Esse processo reduz   o mundo à nossa moral particular.

Pode acontecer por insuficiência de conhecimento:  como não entendemos as coisas que nos rodeiam  tendemos a explica-las  com o pouco que sabemos.  Fenômenos complexos  exigem  esforço de reflexão, que por sua vez, requer  bagagem intelectual.  Mas a bagagem, infelizmente,  não está disponível a todos. O acúmulo de  conhecimento necessita de tempo,  esforço,  vontade e de recursos financeiros, bens  sabidamente  escassos.

Outras formas de tentar  moldar  o mundo a nós,   são a arrogância, pretensão e  as cegantes ideologias.    Fanáticos de todas as matizes ( políticos, religiosos, ideólogos etc)  todos reducionistas,  criam uma visão de mundo  própria e tentam a todo custo impingi-la aos outros.

As ideologias com  toda a concepção idealista que carregam, foram as principais causadoras  de mortes e sofrimentos  no mundo.  As cruzadas e guerras religiosas, o holocausto e tragédia que Mao Tse Tung  impôs à China são bons exemplos.  As crenças ideológicas, que tanto mal  já fizeram ao mundo, quando parecem arrefecer, recrudescem com  novo  vigor a cada tempo.  O Islamismo, que apavora o mundo moderno é um exemplo  atual.

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Por moralizar, no sentido que o texto explora,  entenda-se  transformar os diferentes até que pensem exatamente como nós. Em política,  direita e esquerda disputam a posse da verdade.  A  religião é um caso crônico:  O cristãos que vão morar no paraíso celestial  depois da vida terrena, querem convencer todos a irem também pra lá.  Os muçulmanos,  agraciados com 70 virgens  cada um quando chegarem ao  céu, já  aqui na terra matam e torturam os que não acreditam nisso. 

Uma boa metáfora para a moralização é a  Cama de Procusto.   Na mitologia grega  o bandido Procusto tinha uma cama de ferro do seu exato tamanho. Recebia os viajantes que passavam por sua casa e lhes dava hospedagem. Quando deitavam,  os dominava e moldava  ao tamanho da cama. Se eram menores  esticava-os  até o tamanho dela,  se maiores cortava partes do corpo da vítima  até a adaptação completa. 

Moralizar é impor o nosso “tamanho”:  tentar mudar  os gays,  ridicularizar os que ouvem funk ou moda sertaneja, desprezar o Candomblé,   debochar da cultura ou endeusá-la,  olhar enviesado para os fumantes,  Convencer-se que  comer somente vegetais é a salvação do mundo ou rir dos que pensam assim.

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O que pode nos afetar se  duas pessoas do mesmo sexo se unem?  Se cultuam um Deus diferente do nosso ou nenhum?  Se são muito incultos para nosso convívio ou sofisticados demais? Se gostam de fank, torcem para o Corinthians…

Se observarmos bem nossos atos talvez cheguemos à conclusão de que somos muito parecidos com o  Procusto Grego, queremos adaptar todos à nossa baliza.
Este texto, de repente, pode estar tentando impor uma  ideia moralizante, baseada  no meu conceito de moral. Olha o Procusto aí de novo.

Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor
[email protected]
//
  Blog:bemtevimos.com.br

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