Na política, uma candidatura a presidente ou a governador nem sempre resiste a crises e mudanças de cenário. E acabam abrindo espaço para novos nomes que até então estavam fora do jogo eleitoral das disputas majoritárias. A expressão “cair no colo” no vocabulário político descreve situações que a escolha é obtida sem que o político tenha feito um esforço direto, campanha prévia ou articulação exaustiva para aquele fim específico. Algo que não é extraordinário e nem raro de acontecer, afinal a política brasileira é marcada por reviravoltas e alianças de última hora.
Por conta da crise que emergiu 1) a partir da relação Vorcaro/Flávio Bolsonaro (PL) e 2) pela falta de tração e empolgação popular da candidatura à reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos), a candidatura a presidente da República pode cair no colo da senadora Tereza Cristina (PP) e a candidatura a governador de Mato Grosso pode cair no colo do deputado estadual Max Russi (Podemos). O contexto dos diferentes cenários de mudanças até as convenções:
NO COLO DE MAX RUSSI
Justiça seja feita, o deputado estadual Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa e presidente regional do Podemos, tem agido com muita decência em relação ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Ele tem dito aos correligionários, conforme registro do site RDNews que, se for convocado, toparia concorrer ao governo estadual, principalmente se acontecer alguma reviravolta e o acontecimento principal na sua condicionante: só se o governador Pivetta desistir da busca da reeleição.
Há pouco tempo Max Russi mudou o tom das suas declarações sobre uma candidatura majoritária. Antes, quando era instado sobre ser candidato a governador, dizia de forma genérica que “qual político não gostaria de ser governador?”, mudou para afirmações mais proativas e firmes. Agora, ele admite que deseja ser governador, tem recebido estímulos de diversas lideranças e que esse é sim um projeto de vida. Se não for em 2026, será em 2030. Portanto, se até as convenções Otaviano Pivetta desistir e se receber uma convocação que agregue as principais forças políticas da direita, Max Russi receberá de muito bom grado essa candidatura que pode cair no seu colo.

NO COLO DE TEREZA CRISTINA
Já a questão da disputa a presidente tem contornos mais dramáticos e de uma profunda crise política de falta de credibilidade no nome do senador Flávio Bolsonaro. As principais lideranças do Centrão e a direita tomaram conhecimento das relações nebulosas de Flávio Bolsonaro com o banqueiro bandido Daniel Vorcaro, a partir de um pedido de repasse de 134 milhões de reais para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um caso de “negócios privados” que atingiu em cheio os negócios públicos da política.
O jornalista Igor Gadelha, do site Metrópoles, diz que integrantes do Centrão e do mercado financeiros procuraram o presidente do PP, o enrolado senador Ciro Nogueira, para tentar viabilizar a chapa Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro. Segundo apurou Igor Gadelha, políticos do Centrão e agentes do mercado já conversaram com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, para propor a ideia. O parlamentar, contudo, evitou embarcar na proposta de imediato. Ou seja, pode ser, quem sabe. Ciro deixou a porta aberta a essa mudança.
A candidatura de Flávio Bolsonaro subiu no telhado. O vazamento de mensagens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro levou lideranças do Centrão e do mercado financeiro a articularem esta nova chapa de centro-direita ao Palácio do Planalto. Nas últimas horas, lideranças do bloco e banqueiros passaram a discutir o “como”. Como viabilizar chapa com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.
Ou seja, a candidatura a presidente da República pode cair no colo da senadora Tereza Cristina, uma forte liderança do agro.






















