O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação para apurar denúncias de desassistência em hospitais regionais de Mato Grosso, especialmente em Sinop, Sorriso e Colíder. Documentos obtidos pela reportagem revelam um cenário de colapso iminente devido à falta de profissionais de saúde, bloqueio de leitos e pedidos de ajuda ignorados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) há mais de um ano.
Um ofício da Procuradoria da República, enviado em 1º de agosto, exige que a SES/MT preste informações em cinco dias sobre a destinação de recursos federais e as medidas emergenciais para evitar a interrupção dos serviços no Hospital Regional de Colíder.
Além disso, foi marcada uma audiência extrajudicial para o dia 12 de agosto, em Cuiabá, para discutir a situação crítica dos hospitais de Sinop e Sorriso, onde a falta de profissionais já levou ao bloqueio de 27 leitos e colocou recém-nascidos em risco de morte.
Memorandos internos do Hospital Regional de Sorriso, encaminhados à SES/MT desde dezembro de 2023, alertam para o déficit crônico de enfermeiros e técnicos, resultando no fechamento de leitos de pediatria, clínica cirúrgica e UTI neonatal.
Em julho de 2025, a direção do hospital enviou um documento desesperado: “Não há mais margem para ajustes internos sem comprometer a assistência”. A UTI neonatal, que deveria ter cinco técnicos por plantão, opera com apenas dois, conforme denúncia da equipe médica da empresa Medneo, que sugeriu reduzir as vagas de 10 para 7 para evitar mortes evitáveis.
A SES/MT não atendeu aos reiterados pedidos de contratação de pessoal, mesmo com processos administrativos abertos desde 2023. Um memorando de 16 de julho destaca: “Nenhuma providência efetiva foi adotada, agravando a situação”.
O MPF agora investiga se houve má gestão de recursos federais, incluindo verbas do SUS e emendas parlamentares, e cobra soluções imediatas para evitar um desastre na saúde pública.
Os hospitais afetados são referência para 35 municípios, atendendo a casos de trauma, gestação de alto risco e emergências. Com leitos bloqueados, pacientes são remanejados para outras unidades, sobrecarregando a rede e aumentando o risco de mortes.






















