
Mato Grosso aparece entre os estados com maiores taxas de homicídios de jovens no Brasil, segundo dados do Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12.05) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 2023, a taxa de assassinatos por 100 mil jovens de 15 a 29 anos no estado foi de 57, a décima maior do país e 26% acima da média nacional (45,1).
Enquanto o país registrou uma queda de 25,9% na taxa de homicídios de jovens entre 2018 e 2023, Mato Grosso seguiu na direção oposta, com crescimento de 9% no mesmo período. Apenas entre 2021 e 2023, o número absoluto de jovens assassinados no estado passou de 373 para 496, alta de quase 33%.
A situação se agrava quando considerados apenas os homens jovens. Nesse recorte, a taxa de homicídios em Mato Grosso sobe para 106,8 por 100 mil habitantes, 28% a mais que taxa geral e a 11ª mais alta entre os estados. No Brasil, essa taxa foi de 83,3 em 2023. O padrão ilustra o perfil das vítimas: de 2013 a 2023, 94% dos jovens assassinados no país eram homens.
O relatório do Ipea destaca que a violência letal entre jovens gera impactos profundos no desenvolvimento social e econômico. Ao longo dos últimos onze anos, os homicídios de jovens brasileiros resultaram na perda de quase 15 milhões de anos potenciais de vida. A idade de 20 anos concentrou o maior volume dessas perdas, com mais de 1,3 milhão de anos interrompidos pela violência.
O Atlas também aponta que a criminalidade afeta não só a vida dos jovens diretamente atingidos, mas também compromete a formação educacional, o mercado de trabalho e o crescimento econômico. “A morte prematura significa privá-los da oportunidade de experimentar outras fases da vida”, afirma o estudo.
Mato Grosso não está entre os três estados com os piores índices, mas se distancia da tendência nacional de redução. Amapá (134,5), Bahia (113,7) e Pernambuco (82,2) lideram o ranking de homicídios entre jovens. Em relação apenas aos homens jovens, as taxas são ainda mais alarmantes: Amapá tem 273,6 assassinatos por 100 mil, seguido por Bahia (220,6) e Pernambuco (154,2).

























