O ex-governador Dante de Oliveira tinha um ritual aos sábados pela manhã. Ele passava horas conversando com o pai, ao telefone ou indo até a casa dele. Dante fazia questão de ouvir as opiniões e sugestões do seu pai, o Doutor Paraná, como era conhecido, sobre momentos graves da política. Uma relação forte de amor e amizade, Dante teve que conviver até com a narrativa de que a emenda das Diretas Já foi escrita pelo pai e não por ele, como se isso fizesse qualquer diferença. Uma emenda bem feita foi bem pensada, se Dante ouviu o pai e se ele colaborou, melhor para a política. Era o perfil do democrata. O que não se deve confundir com falta de personalidade ou submissão ao pai. Dante sem personalidade e submisso é efetivamente algo que nunca correspondeu à realidade, inclusive para quem conheceu de perto a relação familiar dele.
O ex-governador Blairo Maggi sempre cultivou uma relação de admiração e respeito pelo pai, o empresário André Maggi. Daí a dizer que Blairo foi apenas o filho mimado que herdou a riqueza e o império empresarial construído pelo pai é uma narrativa daninha e também completamente fora da realidade. É impossível negar a competência de Blairo como empresário de sucesso e que depois migrou para a política, também vencendo por suas qualidades pessoais. A gente aprende com o pai, mas o bom filho, para gosto do próprio pai, melhora as qualidades herdadas e também sabe superar os eventuais erros do pai ser humano. Afinal, até os pais heróis podem errar.
Antero Paes de Barros, ex-senador, deputado federal constituinte, jornalista, radialista, advogado, não teve a felicidade de contar com o pai em vida durante sua trajetória na política. Mas o professor Ranulpho Paes de Barros sempre foi lembrado pelo filho Antero em debates, pronunciamentos, entrevistas, com suas lições de vida. A figura do pai sempre esteve presente como referência de valores morais e éticos. E também ele, como Blairo ou Dante, não pode ser criticado por uma submissão ao pai. Para quem conhece Antero Paes de Barros é absolutamente ridícula a ideia de que ele não tem personalidade forte e ideias próprias.
Na linha do tempo chegamos ao deputado federal Fábio Garcia e o seu pai, o empresário Robério Garcia, o Berinho. Fabinho e o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho, travam ainda hoje uma batalha interna visando a indicação de candidato a prefeito de Cuiabá pelo União Brasil. O senador Jayme Campos, um dos líderes do partido e defensor do nome de Botelho, afirmou que Mauro Mendes iria conversar com Fabinho e o pai dele, Berinho, para convencê-los a recuar do projeto da candidatura. Ou seja, assim mesmo, no plural: convencer pai e filho, como se Fabinho não tivesse personalidade própria e andasse na política escorado nas ideias do pai empresário.
Fábio Garcia declarou publicamente que não desiste da candidatura. O nome dele é o preferido do casal número 1 do União Brasil, o governador Mauro Mendes e da primeira-dama Virgínia Mendes. Com o discurso de ainda candidato, o convite para permanecer como secretário da Casa Civil não parece ser um desesperado prêmio de consolação.
Fabinho deve ser candidato, tem competência política para pleitear essa condição. Se é o candidato do coração de Mauro Mendes, que faça pulsar esta preferência. Para o governador, que é um homem de coragem, bancar a candidatura de Fabinho é enfrentar o desafio da política em Cuiabá onde governador não faz prefeito. Para Berinho, é uma forma da realização de um sonho encarnado pelo filho. Nos anos da década de 1990, o empresário Robério Garcia tinha posto na rua uma campanha de candidato a prefeito de Cuiabá, desistiu antes da eleição. Em respeito à memória do ex-governador Garcia Neto, pai de Berinho, avô de Fabinho, a família não pode acumular desistências eleitorais.





















