A vereadora Maysa Leão (Republicanos) faz mais pelos seus colegas na Câmara de Cuiabá do que eles próprios. Ao insistir na instalação de uma CPI para apurar o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), William Leite, acusado de assédio e desvio de dinheiro público, ela faz crer que existe um fio de esperança na coragem e atitude dos colegas e das colegas.
Se o apelo dela tiver eco na Câmara, os vereadores e as vereadoras não continuarão apequenados, apequenadas, e cumprirão o papel para o qual foram eleitos: fiscalizar as denúncias dos malfeitos e o envolvimento dos malfeitores da gestão municipal. Os cuiabanos e a pergunta que não quer calar: Maysa Leão é a voz solitária da decência legislativa municipal em Cuiabá?
O jornalista Aparecido Carmo, do site Gazeta Digital, fez o registro da luta da vereadora Maysa Leão para que essa investigação não caia no buraco da memória. O abismo de Cuiabá é a gestão movida a vídeos no Tik Tok e livre de qualquer fiscalização da Câmara de Cuiabá. A omissão dos vereadores e das vereadoras referenda os termos desairosos da população cuiabana sobre o legislativo municipal: Casa dos Horrores e Puxadinho da Prefeitura.

A vereadora Maysa Leão cobrou que a Câmara de Cuiabá instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de assédio sexual contra William Leite, ex-chefe de gabinete da Prefeitura da Capital. A proposta foi apresentada em março deste ano, mas não seguiu por conta do limite de apurações na casa, que se restringe a cinco.
“Nós não podemos aceitar que denúncias tão graves sejam simplesmente deixadas de lado”, afirmou a parlamentar, na sessão de quinta-feira (7). A vereadora argumenta que não avançar na apuração do caso enfraquece a independência do Legislativo Municipal e impede que haja uma resposta à sociedade.
O assédio sexual teria ocorrido contra uma servidora municipal no sétimo andar da prefeitura, onde também está localizado o gabinete do prefeito. A denúncia também aponta improbidade administrativa, fraude financeira e desvio de função envolvendo pessoas ligadas à gestão.
“Além do assédio sexual, que já é extremamente grave, a servidora trouxe denúncias de desvio de dinheiro, desvio de função e possíveis irregularidades envolvendo o MT Press. Isso precisa ser investigado. Não dá para tratar um caso dessa dimensão como se nada tivesse acontecido”, pontuou.
Conforme a parlamentar, a comissão criada para acompanhar o caso não possui as prerrogativas legais de uma CPI, o que impede que se aprofunde nas denúncias. Uma CPI pode obrigar uma testemunha a comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos aos vereadores, por exemplo, assim como quebrar sigilos dos envolvidos.
“A comissão fez um trabalho sério e comprometido, mas não tem as prerrogativas de uma CPI. Não pode convocar testemunhas, não pode pedir quebra de sigilo bancário e não pode obrigar ninguém a comparecer. O próprio William não foi ouvido porque não quis comparecer. Se fosse uma CPI, haveria instrumentos legais para avançar na investigação”, declarou.
Maysa também apontou a situação de vulnerabilidade emocional da vítima, que está em fase final de gestação, e criticou o silêncio em torno do caso.
“Eu tenho acompanhado essa vítima. Ela está finalizando a gestação, vivendo um momento de extrema sensibilidade, e se sente desolada e desamparada. O que mais me preocupa é ver que o assunto parece ter sido esquecido por muitos, enquanto uma mulher segue tentando reconstruir sua vida depois de tudo o que relatou. Nós não podemos normalizar isso”, finalizou.
No momento tramitam cinco CPIs no Legislativo, contudo os andamentos são lentos e algumas sequer tiveram a primeira reunião, como mostrou o jornal A Gazeta.
























