O advogado e ex-procurador da República Pedro Taques apresentou uma representação criminal e de improbidade administrativa junto à Procuradoria Geral de Justiça de Mato Grosso sobre indícios de um esquema de corrupção, fraude em licitação e conflito de interesses envolvendo as obras do Autódromo Internacional no Parque Novo Mato Grosso, do Governo Mauro Mendes. No documento, Taques e outros quatro advogados de seu escritório de advocacia pedem a abertura de um inquérito civil para apurar as denúncias e o afastamento cautelar do presidente da MTPAR, Wener Klesley dos Santos.
No vídeo que acompanha a denúncia, Pedro Taques questiona publicamente a transparência dos gastos públicos no empreendimento, que apelidou de “Parque dos Bacanas” ou “Parque dos Bilionários”. Taques destaca que o custo da obra, originalmente estimado em R$ 150 milhões em 2021, já escalou para uma projeção que pode superar R$ 1,5 bilhão até 2027.
Indícios de favorecimento e elos familiares
A representação foca em três contratos celebrados em 2025 com a empresa MTSUL Construções Ltda, totalizando R$ 208,1 milhões. Segundo a denúncia, a MTSUL é gerida por Victor Felisbino, que é casado com a sobrinha de Wener Santos, presidente da MTPAR e responsável pela assinatura dos contratos.
Além do vínculo familiar, o documento aponta um “nexo societário” complexo: os irmãos do presidente da MTPAR (José Aparecido “Cidinho” Santos e José Wagner dos Santos) seriam sócios dos dirigentes da MTSUL em diversas outras empresas de mineração constituídas no mesmo período das licitações.
Na denúncia consta que o processo licitatório conduzido pela MTPAR, “viabilizado pela posição institucional de Wener Klesley dos Santos que, valendo-se do cargo de Diretor-Presidente da estatal, direcionou contratos (contratado + aditado) no valor de R$ 208.106.294,41, para empresa cujos dirigentes são, simultaneamente, sócios de seu irmão em múltiplas empresas constituídas nos meses imediatamente anteriores e posteriores às contratações”.

Fraude em licitação e acidente na inauguração
A denúncia descreve irregularidades na desclassificação de concorrentes que apresentaram propostas até R$ 3 milhões mais baratas que a da MTSUL. Em um dos casos, uma empresa foi eliminada sob a justificativa de “carimbos ilegíveis” em documentos, mesmo após o envio de cópias em alta resolução.
Outro ponto crítico mencionado é a inauguração “provisória” do autódromo em novembro de 2025 para uma etapa da Stock Car. Na ocasião, a cobertura das arquibancadas colapsou devido a ventos fortes, deixando feridos e causando danos materiais. A representação alega que a pressa para a inauguração, com obras ainda inacabadas e aditadas posteriormente, colocou a segurança do público em risco por motivações políticas.
Pedidos de investigação
Os advogados pediram a instauração de Inquérito Civil e Procedimento Investigatório Criminal para apurar crimes de prevaricação, fraude em licitação, corrupção passiva, improbidade administrativa, tráfico de influência e associação criminosa. Além do afastamento do presidente da MTPAR, pediram ainda a indisponibilidade de bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento ao erário.
Veja o vídeo:





















