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Pesquisa apontou “Aqui Jaz A Melodia” (2020) como uma das únicas produções mato-grossense a se enquadrarem no conceito de ‘cinema negro’.
O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGCOM/UFMT) promove, nesta quarta-feira (24.05), a sessão de defesa da dissertação ‘BlackOut: o Negro no Cinema de Mato Grosso’, do mestrando e realizador audiovisual Maurício Rodrigues Pinto. O estudo mapeia a contribuição negra na produção cinematográfica mato-grossense financiada com incentivo público, entre 1992 e 2020.
O estudo realizado por Maurício, que é egresso do curso de Radialismo da UFMT, tem como um de seus objetivos refletir sobre o conceito de cinema negro com base nas discussões propostos por autores renomados no tema, como Rosa Maria Berardo, Júlio César dos Santos e Orlando Senna. A intenção é trazer a discussão, que já vem sendo travada nacional e internacionalmente, para a realidade local de Mato Grosso.
A pesquisa propõe um delineamento conceitual específico para o que seria o cinema negro no contexto mato-grossense. De acordo com os critérios estabelecidos, os filmes mapeados devem ser produzidos por uma equipe majoritariamente negra ou com presença significativa de pessoas negras e pardas em posições de decisões criativas, principalmente na direção e no roteiro. Além disso, é essencial que o elenco apresente representatividade negra e que os filmes abordem temáticas relacionadas à negritude.
Um dos achados da dissertação, é que, ao analisar cerca de 50 filmes, produzidos ao longo de 28 anos, Maurício identificou apenas dois que se enquadram no conceito proposto de cinema negro em Mato Grosso. São eles: “Cilada com 5 Morenos” (1996), dirigido por Luiz Borges, e “Aqui Jaz A Melodia” (2020), dirigido por Wuldson Marcelo e Juliana Segovia.
Para a professora e pesquisadora Letícia Capanema, que orienta a pesquisa, a dissertação traz contribuições muito importantes para o campo da Comunicação, especialmente por seu caráter pioneiro. “Esse trabalho tem uma importância enorme de mapeamento do cinema mato-grossense a partir desse recorte temporal de 1992 a 2020, e a partir de outros recortes que dizem respeito ao gênero da ficção e de filmes financiados por políticas públicas. É um dos poucos mapeamentos que temos do cinema contemporâneo em Mato Grosso e por isso ele já tem grande mérito nesse sentido, de organizar essas informações”, afirma.
Para a orientadora, entretanto, a maior contribuição reside no debate sobre temas étnicos. “Há na pesquisa um mérito maior ainda que é de propor uma discussão que toca questões raciais. O trabalho do Maurício se inscreve em uma discussão mais ampla que acontece não só no Brasil, mas em outros países em relação a um conceito que está todo tempo em discussão e disputa que é essa noção do que é o cinema negro”, pontua.
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Sobre o autor e a defesa
Maurício é egresso do curso de Radialismo da UFMT, realizador de audiovisual de Mato Grosso, e vem construindo sua carreira em produções de ficção e documentário. Entre os destaques de sua produção está o curta de ficção “Pandorga” e o documentário “Missivas”. Maurício é vinculado ao coletivo Quariterê, grupo que realiza, incentiva e apoia ações voltadas para a promoção da equidade de raça e gênero no segmento audiovisual em Mato Grosso.
A defesa da dissertação acontece nesta quarta-feira (24.05), às 14h, na Sala 01 do Bloco didático do IL.























