Documentos divulgados neste sábado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) referentes à investigação que trata da tentativa de golpe de Estado no país revelaram mais detalhes da articulação do grupo criminoso. No parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, um trecho aponta que a trama golpista teria sido financiada pelo “pessoal do agronegócio”.
Na manhã deste sábado, o general Walter Souza Braga Netto foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido da Polícia Federal, que investiga os atos antidemocráticos. A investigação demonstra que Braga Netto teria agido para tentar obstruir as investigações, agindo para conseguir dados sigilosos da delação de Mauro Cid, que é ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mauro Cid levou ao Supremo Tribunal Federal, em complemento à sua delação premiada, informações sobre o financiamento das ações de forças especiais pelo indiciado general Braga Netto. “O colaborador [Mauro Cid] declarou que ‘alguns dias após, o Coronel De Oliveira esteve em reunião com o colaborador e o General Braga Netto no Palácio do Planalto ou da Alvorada, onde o General Braga Netto entregou o dinheiro que havia sido solicitado para a realização da operação. O dinheiro foi entregue numa sacola de vinho. O General Braga Netto afirmou à época que o dinheiro havia sido obtido junto ao pessoal do agronegócio’”.

O trecho do depoimento não aponta, no entanto, quem seriam as pessoas “do agronegócio” que teriam repassado o dinheiro para financiar a tentativa de golpe.
Confira a decisão que autorizou a prisão e a busca e apreensão.
Confira a decisão que retirou o sigilo dos autos.
Confira a representação da Polícia Federal.
Confira o parecer da Procuradoria-Geral da República.

Marcelo Camargo/Agência Brasil






















