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ARTIGO

Pingos nos “is”

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Botemos os pingos nos “is”. A campanha de Flávio Bolsonaro critica a alta no preço dos alimentos sob o Governo Lula. Normal, partindo do candidato da extrema-direita, conhecido como mentiroso contumaz (levantamento da imprensa e de agências de checagem apontam que ele deu 43 declarações falsas ou enganosas sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e com o caso Banco Master). Em agosto deste ano, compartilhou um vídeo de uma consumidora mostrando uma nota fiscal de R$ 626, alegando que a compra era básica e sem carne. Checagens feitas por agências de verificação apontaram que a nota incluía mais de seis quilos de carne.

Naturalmente, seria ingênuo pensar que vivemos num paraíso. Ao contrário, a vida é só perrengue para cerca de 70% da população brasileira cuja renda mensal é de até R$ 3 mil mensais. Mas já foi pior, bem pior. Especialmente, no governo do pai dele, quando o pacote de 5 kg de arroz chegou a custar R$ 50; o quilo de feijão preto, mais de R$ 15; o óleo de soja, R$ 13, para ficar nestes três exemplos. Atualmente, o pacote de arroz está abaixo dos R$ 30; o quilo de feijão preto, entre R$ 6,75 e R$ 7,49; e o litro de óleo de soja, entre R$ 7,20 e R$ 8,50. Enquanto no Governo Bolsonaro, a inflação (aquelas subidas de preço que corroem, em banho-maria, o rendimento de cada dia) de alimentos ficou acima de 50%. No atual Governo Lula não chega a 16%.

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Passemos aos combustíveis, especialmente gasolina, óleo diesel, etanol e gás de cozinha. Aqui em Cuiabá, a gasolina atualmente sai a R$ 7,19; o diesel, a R$ 6,56; o etanol, a R$ 4,29 (há pouquíssimo tempo, chegou a cair para R$ 3,69, causada por uma superprodução); e o gás de cozinha, variando entre R$ 95 a R$ 130 (lembrando que, no país, 15 milhões de famílias recebem o vale gás, variando de quatro para seis recargas anuais, dependendo da quantidade de pessoas em cada família).

Relembremos os preços praticados no governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o atual candidato da extrema-direita. Em 2022, o preço da gasolina chegou a R$ 7,39 por litro, mais alto que o atual; o diesel, a R$ 7,57 (idem); o etanol, a R$ 5,75 (ibidem); e o gás de cozinha a R$ 113, sendo que em alguns locais de Mato Grosso, foi vendido a R$ 160 o botijão de 13 quilos.

Não custa nada reforçar uma coisa bem simples. Embora muitos se esqueçam, especialmente os que dizem não gostar de política, não entender nada sobre o assunto ou que todos as políticas roubam, o voto, secreto e individual, tem consequências, alentadoras ou catastróficas. Depois de votado, não dá para voltar atrás antes da próxima eleição, que pode ser incerta, caso haja uma mudança de plano de quem estiver no poder nestes próximos quatro anos. É bom lembrar que a democracia brasileira anda sempre na corda bamba. A última tentativa de um golpe foi há menos de quatro anos. Pensemos nisso!

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Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

*A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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