O pesquisador e professor titular de Literatura Comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) João Cezar de Castro Rocha publicou um vídeo em que critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça por uma mensagem de agradecimento dirigida a “irmãos e irmãs”. Para o pesquisador, ao utilizar a expressão e recorrer reiteradamente a referências religiosas, Mendonça teria falado especificamente ao público evangélico, e não ao conjunto da população brasileira.
“Não está falando com o Brasil. Não está falando com a cidadania”, afirmou Rocha. Ele também questionou a declaração de Mendonça de que as orações recebidas teriam sido “fundamentais” para sustentá-lo e sustentar sua família. Na reação, o professor acusou o ministro de utilizar a religião de maneira incompatível com o cargo e citou o Instituto Iter, ligado a Mendonça, afirmando que a entidade teria realizado R$ 11,5 milhões em serviços para órgãos públicos sem licitação. A afirmação é feita por Rocha no vídeo.
O professor também criticou o gesto de bênção feito por Mendonça ao final da gravação e o cenário com exemplares da Bíblia ao fundo. Segundo ele, um ministro do STF deve se apresentar publicamente como “guardião da Constituição”, e não como uma autoridade religiosa. Rocha questionou ainda se Mendonça estaria excluindo de sua mensagem brasileiros que seguem outras religiões ou não professam nenhuma fé.
Ao final, João Cezar elevou o tom e classificou André Mendonça como uma “ameaça à democracia”. “O seu fundamentalismo religioso associado a um lavajatismo anacrônico torna o senhor uma verdadeira ameaça”, disse. “O senhor não tem que falar com irmãos e irmãs, mas com cidadãos e cidadãs do Brasil, ministro.”
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