
A Associação do Povo Indígena Zoró Pangyjej (APIZ) está à frente de um projeto que visa promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a economia nas terras indígenas dos Povos Zoró, Apiaká, Caiabi e Munduruku. Denominado Projeto Man Gap, a iniciativa já apresenta resultados significativos para a região.
Uma das ações mais destacadas é o início da construção de uma fábrica de beneficiamento de castanha na Terra Indígena Apiaká-Kayabi. Essa instalação visa agregar valor aos produtos locais, promovendo o desenvolvimento econômico das comunidades envolvidas.
Outro marco importante é a criação do Fundo Rotativo Solidário Indígena, uma iniciativa crucial para estruturar a cadeia de valor da castanha da Amazônia na região do projeto. O fundo contará com o apoio inicial do Programa REM MT, visando fornecer suporte financeiro de longo prazo às comunidades, promovendo sua autonomia financeira e sustentabilidade em atividades produtivas.
Paulo Nunes, coordenador do projeto Man Gap, destaca que “essas iniciativas geram trabalho e renda para a população nas comunidades, disponibilizam derivados de produtos orgânicos da sociobiodiversidade e de alto valor nutricional para a população na região do projeto, ao mesmo tempo em que multiplicam a riqueza”.
O Fundo Rotativo Solidário Indígena, sob a consultoria da SITAWI – Finanças do Bem, desempenha um papel fundamental na estruturação da cadeia de valor da castanha da Amazônia na região do projeto. Este fundo busca promover uma microeconomia solidária e sustentável, impulsionando pequenos empreendedores locais.
Os Fundos Rotativos Solidários são reconhecidos como uma forma inteligente e criativa de poupança coletiva, mobilizando recursos para projetos coletivos e alternativos. Esses fundos são rotativos, o que significa que há uma devolução dos recursos em algum momento, promovendo a circulação de recursos dentro da própria comunidade.
Fernando Campos, responsável pela estruturação do Fundo Rotativo Solidário Indígena, afirma que “essa iniciativa vai além de um projeto pontual, podendo se tornar um modelo de referência para outros territórios e comunidades tradicionais na Amazônia”.
A UNICAFES tem desempenhado um papel crucial no processo, oferecendo capacitações desde setembro de 2023. O Seminário de Gestão Organizacional, realizado em novembro na Terra Indígena Apiaká Caiaby, envolveu as quatro etnias do projeto Man Gap, visando desenvolver habilidades gerenciais e aprimorar a gestão das organizações indígenas.
O Projeto também conta com a consultoria da Socioambientalize, trabalhando em conjunto com as comunidades para desenvolver planos de negócios e criar uma identidade visual para os produtos de castanha do Brasil. O objetivo é conciliar o sucesso econômico com a conservação do meio ambiente, promovendo práticas sustentáveis alinhadas aos valores dos povos indígenas.
Mariana Dettmer destaca a importância de desenvolver o plano de negócios e a identidade visual dos produtos com base nas experiências e narrativas locais, criando um planejamento alinhado com a visão de futuro, produção, preços e informações que pautem a estruturação das fábricas de beneficiamento.

























