Duas professoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estão à frente de um projeto pioneiro, que pretende incentivar a criação da primeira ópera pós-minimalista do Brasil. Com criação de Rita de Cássia Domingues e colaboração de Marithê Azevedo, ‘Cartas para Yataro’ conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (Secel-MT), por meio da Lei Aldir Blanc, e segue agora com inscrições abertas para oficinas e seleção de artistas.
Para Rita de Cássia, idealizadora do projeto, ‘Cartas para Yataro’ é uma oportunidade de democratizar o acesso ao repertório de ópera contemporânea à população local. O objetivo principal é ajudar a romper barreiras socioculturais, proporcionando aos mato-grossenses o acesso a uma cultura diversa e a conhecimentos musicais e artísticos da contemporaneidade.
Doutora e professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea e do departamento de Artes, ambos da UFMT, Rita dedica-se ao estudo do minimalismo e pós-minimalismo na música desde o mestrado. O aprofundamento de sua pesquisa ao longo do doutorado trouxe a constatação de que no Brasil há poucas obras desse feitio, principal motivo que a incentivou a lançar o projeto.
Arquivo Pessoal

Professoras Rita de Cássia Domingues e Marithê Azevedo estão à frente do projeto da primeira ópera pós-minimalista do Brasil.
“No mestrado, eu estudei uma obra orquestral do Gilberto Mendes, que chamava ‘Abertura Issa’. Issa foi um grande haicaísta, um grande poeta japonês que viveu por volta de 1700 e que se tornou um monge budista. Eu me interessei muito pela história desse poeta também, até por eu ser budista. No doutorado, eu retomei essa obra, além de outras. Por isso, eu observei que no Brasil nós não temos muitas obras dessa feitura. Óperas, por exemplo, nós não temos nenhuma. Foi nesse momento que surgiu a ideia”, conta a docente.
A opéra também contará com dramaturgia, que fica por conta de Marithê Azevedo, pesquisadora e diretora de cinema e teatro, com produção acadêmica e artística consistente e premiada, que orientou no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT) diversas pesquisas e trabalhos artísticos colaborativos na chave das artes híbridas. Para Marithê, a obra também será uma oportunidade de reflexão sobre a contemporaneidade.
“É uma obra que tem a pretensão de ser pós-minimalista. A minha participação no projeto é a parte de dramaturgia, de escrever o espetáculo do ponto de vista de direção de cena. É um projeto bastante ousado e contemporâneo no sentido do seu próprio conteúdo. Faz uma abordagem das questões do tempo presente, trazendo inclusive o que estamos vivendo agora, que é a pandemia”, conta.
Além das professoras, o projeto conta com a participação direta dos membros do grupo de pesquisa ContemporArte, também da UFMT, que é liderado por Rita Domingues e pela professora Maristela Carneiro. Além de todo o trabalho criativo e composicional, o projeto ainda ofertará para a população cinco oficinas, completamente gratuitas e de forma remota, com o intuito de democratizar o acesso ao repertório de ópera contemporânea.
As inscrições para as oficinas vão até o dia 15 de fevereiro e para a pré-seleção de artistas para atuação na ópera Cartas para Yataro até o dia 18 de fevereiro. O objetivo é realizar a estreia da ópera em 2022 em Cuiabá, em homenagem aos 100 anos de nascimento do compositor Gilberto Mendes. Em razão da pandemia, as oficinas acontecem de forma remota e estão abertas para pessoas de qualquer estado. Já para a pré-seleção de artistas, é necessário ter residência em Mato Grosso.

























