ESTA FOI UMA SEMANA em que a imprensa brasileira parece ter cantado um samba de uma nota só. Após o presidente Lula comparar o genocídio cometido por Israel em Gaza ao Holocausto, a mensagem enviada pela grande mídia, salvo poucas exceções, foi a mesma: o Holocausto não pode ser relativizado.
E eu pergunto: por quê?
À luz da definição mais ortodoxa, não sou exatamente judeu. Meu pai é, mas minha mãe era católica – o que me torna um gói. Não fiz bar-mitzvah (mas tampouco fiz primeira comunhão), e fui poucas vezes à sinagoga.
Entendo, no entanto, que o judaísmo é parte da minha identidade: está no meu sobrenome, na minha pele clara de asquenazi, no meu pênis circuncidado e nos jantares de Yom Kipur e Hosh Hashaná oferecidos na casa do meu tio, quando participo das rezas em hebraico.
No frigir dos ovos, sei que eu estaria na linha de tiro se houvesse um novo ciclo de perseguição ao povo judaico. Portanto, sou judeu.
Não estudei em escola judaica, mas fui educado, pelo meu pai, a carregar tanto a melancolia quanto a ira dos nossos antepassados que sobreviveram ao Holocausto.
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