A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve nesta terça-feira (13.10) em Cuiabá, e participou da abertura da Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ela proferiu uma concorrida palestra a professores, pesquisadores e alunos da instituição. Na sua fala, recheada de referências a pensadores e escritores, a ministra fez uma defesa da democracia.
A palestra da magistrada, no teatro da UFMT, durou cerca de 45 minutos. Enquanto falava à plateia, construía seu raciocínio citando importantes nomes da literatura, filosofia e até do cinema. Entre os citados estão Rui Barbosa, Rousseau, Charles Chaplin e Vinícius de Moraes.

Veja abaixo algumas das personalidades citadas pela ministra:
Fernando Pessoa
“Fernando Pessoa dizia que: ‘dizem que há mundos lá fora que nem em sonhos eu vi. Mas o que importa todo o mundo se o meu mundo está aqui?’. Meu mundo todo é uma universidade, é uma sala de aula, portanto eu me sinto muito em casa”, disse a ministra Cármen Lúcia, em referência ao prazer em falar em um evento em uma universidade.
Rui Barbosa
“Eu leio textos de Rui Barbosa, que dizia que a previdência é paga por quem está trabalhando porque um dia você para de trabalhar e vem o outro que está trabalhando e paga. É pela solidariedade. Quem trabalhou e depois não pode trabalhar, é pela solidariedade que a gente faz com que a sociedade ande”.
Jean-Jacques Rousseau
“No discurso de Rousseau, ele dizia que fala-se em liberdade mas que em todo lugar em que ele via, e ele escreve no século 18, as pessoas estavam em correntes. E o que a gente não quer é viver com correntes. Eu digo em sala de aula que a liberdade não é nem um direito, é quase um sentimento, é quase uma emoção”, disse Cármen Lúcia em referência à frase “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado”, do livro O Contrato Social, uma das obras mais influentes da filosofia política moderna, de Jean-Jacques Rousseau, de 1762.
Guimarães Rosa
“Nós precisamos ficar provando pro outro o que ele é e não sermos aquilo que a gente quer ser livremente, com alguma alegria pra viver. Porque eu acho que a aventura vale a pena, à medida em que propicia a cada um de nós o que Guimarães Rosa chamava de algumas horinhas de descuido”.
Vinícius de Moraes
“Eu fico sempre me lembrando de uma frase, de um verso, do Vinícius de Moraes sobre Pátria amada. Ele dizia ‘não te direi o teu nome, Pátria Amada. O teu nome é patriazinha’. E eu acho que, às vezes, o Brasil ao invés de ser a mãe Pátria tem que ser olhado por nós como se fosse a filha, aquela de quem a gente cuida”.
O trecho citado pela ministra é do poema Pátria Minha, de Vinícius de Moraes:
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Charles Chaplin
“Somos todos feitos da mesma matéria humana. Temos que ter cuidado e lembrar como Charles Chaplin, no final de Tempos Modernos, em que ele diz, como última frase: ‘Somos humanos, não somos máquinas, não nos confundamos com ela’. É bom que neste momento a gente se lembre de um filme de 1936, mas cuja mensagem está na ordem do dia”.
Veja abaixo a íntegra da palestra:

























