Um torcedor do Mixto cometeu injúria racial ao árbitro Pedro Henrique Pio durante a partida diante do Bahia, pela segunda rodada da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, neste domingo (21). O caso foi relatado na súmula da partida e registrado um Boletim de Ocorrência pelo árbitro e pelo Mixto, que divulgou uma nota oficial em que lamenta e repudia o caso de racismo.

Familiares do árbitro estavam no estádio Dutrinha, local onde ocorreu a partida, e gravaram o crime cometido pelo torcedor. Diante do fato e com o vídeo em mãos, Pedro Henrique documentou o caso na súmula da partida.
“Informo que após o término do jogo, recebi o vídeo via WhatsApp do meu irmão Rodrigo Pio (árbitro FMF/MT), onde no intervalo do jogo, que enquanto a equipe de arbitragem se deslocava para o vestiário, um torcedor com a camiseta da equipe do Mixto Esporte Clube, no local destinado a torcida do Mixto, proferiu vociferando as seguintes palavras de cunho racista em direção ao árbitro da partida Sr. Pedro Henrique Pio de Jesus: “seu macaco, seu macaco desgraçado, seu macaco”, relata o árbitro.
O Mixto divulgou nota oficial e repudiou o ato e inclusive já identificou o torcedor e vai encaminhá-lo à Polícia. O clube relembrou a sua fundação na miscigenação, as cores preto e branco sempre lado a lado e os grandes ídolos negros.
Veja a nota do Mixto na íntegra:
O Mixto Esporte Clube lamenta e repudia a injúria racial cometida por um torcedor contra o árbitro Pedro Henrique Pio, durante a partida entre Mixto e Bahia pela Série A2 do Campeonato Brasileiro, neste domingo (21), no estádio Dutrinha.
O clube tomou ciência do caso logo após a partida e está dando todo o suporte ao Pedro Henrique. Realizou juntamente com o árbitro um Boletim de Ocorrência em que relata o caso de injúria em que o torcedor chama o árbitro de ‘’Macaco’’ e se compromete a identificar o torcedor.
O Mixto tem em seu DNA, desde a sua fundação, a miscigenação, o preto e o branco sempre lado a lado. As lutas sociais são bandeiras levantadas pelo clube há 90 anos. O Alvinegro mato-grossense foi idealizado entre homens e mulheres, que sempre tratou todos de forma igual.
Temos em nossa história heróis negros como Leônidas, Glauco, Felizardo, Pelezinho, Almiro, Adavilson, Dito, Sinfrônio, Jaburu, e tantos outros que ajudaram a escrever a linda história do clube.
Temos certeza que a grande torcida do Mixto se associa ao clube nesse combate ao racismo. Defendemos a punição exemplar desse torcedor. Pedro Henrique Pio, esta luta também é nossa e você não está sozinho.
Em uma sociedade racista, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista.




















