
Com o avanço das relações comerciais entre o Brasil e a China, a procura por cursos de mandarim vem ganhando força em Mato Grosso. Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Centro Chinês, criado em parceria com a Universidade Agrícola do Sul da China (SCAU), já atendeu mais de 200 alunos desde que começou a funcionar, em setembro de 2023. O curso está atualmente com inscrições abertas.
A iniciativa é vinculada à Secretaria de Relações Internacionais da UFMT (Secri) e tem como um dos objetivos promover a língua e a cultura chinesa, além de aproximar pesquisadores brasileiros e chineses em áreas de interesse comum, como no agronegócio, por exemplo. “Temos encontrado uma facilidade muito grande de aproximação nesse universo, principalmente em pesquisas relacionadas à soja”, afirma a professora Caroline Oliveira, coordenadora do Centro Chinês, que atua ao lado do professor Silvano Galvão, vice-reitor da UFMT e do professor Kexing Liu, responsável pelo projeto na SCAU.
Segundo ela, uma das principais linhas de pesquisa em desenvolvimento com a SCAU tem como objetivo aumentar o teor proteico da soja produzida em Mato Grosso. Pesquisadores da UFMT já mantêm vínculos com a universidade chinesa e buscam, com essa cooperação, fortalecer a base científica do agronegócio no estado.
Sobre o curso

A maior parte dos alunos do Centro Chinês é formada por estudantes da própria UFMT, mas há diversidade. Há profissionais já graduados, servidores públicos, pesquisadores e até adolescentes em busca de um diferencial no currículo. “Muitos veem o curso como uma alavanca profissional”, diz Caroline. A participação de servidores do Governo de Mato Grosso, em especial, tem sido significativa.
O Centro oferece turmas com até 25 alunos e, além das aulas presenciais em Cuiabá, mantém turmas online, que também visam moradores do interior. “Muitos alunos do interior de Mato Grosso nos procuram. Por isso, sempre temos pelo menos uma turma online”, explica a professora.
As inscrições para o segundo semestre estão abertas, com aulas previstas para começar em 23 de agosto. A matrícula corresponde ao valor do curso semestral e pode ser paga à vista por meio de boleto, PIX ou cartão de crédito. Os valores variam entre R$300 e R$550, correspondentes a uma taxa única.
As aulas ocorrem majoritariamente nos fins de semana, mas há opções durante a semana à noite. Os cursos são semestrais, com carga horária que permite introdução à língua e à cultura chinesas. O Centro também oferece atividades extracurriculares, como oficinas de kung fu e tai chi chuan, que relacionam aspectos culturais e filosóficos da China com a estrutura da língua. “É uma forma lúdica e simbólica de aprofundar o contato com a cultura milenar da China”, diz a coordenadora.
No início do aprendizado, os alunos têm contato com expressões básicas, costumes e comportamentos chineses. “Trabalhamos com situações práticas e culturais, como formas de cumprimento, alimentação e até comportamentos que podem parecer grosseiros para brasileiros ou chineses. A ideia é romper conceitos pré-estabelecidos e facilitar a comunicação intercultural”, explica Caroline.

A parceria entre a UFMT e a SCAU foi formalizada em 2022 e, desde então, as atividades acadêmicas têm se intensificado. O primeiro aluno da UFMT a realizar intercâmbio para a universidade chinesa embarca nos próximos meses. Trata-se de um doutorando do curso de Medicina Veterinária que fará um estágio de um ano na SCAU por meio de um doutorado sanduíche.
Pontes com a pesquisa e o mercado
A coordenadora do Centro destaca que, na China, há uma relação direta entre universidade e mercado, o que se reflete na qualidade da pesquisa aplicada. “Os negócios vão bem quando há pesquisa. Na China, empresas crescem com base em núcleos de pesquisa universitários. Muitas vezes, os pesquisadores também são empreendedores”, afirma.
Para ela, Mato Grosso tem uma oportunidade estratégica ao fomentar parcerias com instituições chinesas. “Temos muito a aprender com esse modelo e temos muito a oferecer. Nossa produção agrícola e nossa capacidade científica podem se fortalecer mutuamente nesse intercâmbio”, avalia.

























