Apesar de um intenso discurso anticorrupção, o prefeito Abilio Brunini (PL) mantém a esposa do vereador Cezinha Nascimento (União) com um cargo de indicação política na Prefeitura de Cuiabá. Cezinha foi alvo da Operação Emenda Oculta por suspeitas de corrupção e desvio de dinheiro.
De acordo com a Gazeta Municipal de Cuiabá de 15 de janeiro de 2025, Adriana Almeida de Oliveira foi nomeada para o cargo de Coordenador Técnico de Assistência. Este cargo faz parte da estrutura de Gestão, Direção e Assessoramento, possui o Símbolo CGDA 7 e está lotado na Secretaria Municipal de Saúde, com efeitos a partir de 9 de janeiro de 2025.
Nas redes sociais, Adriana costuma publicar foto de conquistas pessoais, como a compra de carros, em que agradece o marido pela realização. Em um dos vídeos, com música religiosa ao fundo, Adriana mostra a compra de um veículo Hyundai e escreve: “Agradeço a Deus primeiramente e ao meu marido que sempre me proporciona momentos assim!!!”.
Em um dos vídeos publicados, a esposa do vereador ironiza a velocidade em que percorre as ruas de Cuiabá com uma música que diz “a polícia atrás da gente”. O vídeo foi publicado em junho, menos de dois meses depois do marido ser alvo de busca e apreensão.
Adriana recebe salário, como servidora comissionada, bastante distante da realidade em que vive nas redes sociais. De acordo com dados obtidos pelo PNB Online, a servidora recebe cerca de R$ 2.800 de salário, R$ 2.300 de verba indenizatória e R$ 4.800 de prêmio saúde, totalizando cerca de R$ 10 mil em valores líquidos.
Cezinha foi alvo, junto do irmão, o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo), por suspeita de desvio de emendas parlamentares na Câmara de Cuiabá e na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A ação de busca e apreensão foi realizada pelo Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), do Ministério Público Estadual.
Tanto os cargos de indicação política quanto as suspeitas de corrupção são duas das plataformas com as quais Abilio se manteve na oposição e conseguiu, após ser derrotado em 2020, vencer as eleições em 2024.
A investigação aponta que emendas parlamentares destinadas ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (IBRACE) eram desviadas. Conforme o Naco, os recursos eram repassados à empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que posteriormente devolvia valores aos parlamentares responsáveis pelas emendas.






















