Pesquisar
Close this search box.
ARTIGO

Financiamento para o Zoneamento Ecológico-Econômico no Brasil: uma luz no fim do túnel!

Publicidade

Aprovado terminativamente pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal em 28 de abril e encaminhado à Câmara dos Deputados em 8 de maio, o Projeto de Lei nº 4.080/2020, de autoria do senador Jader Barbalho (MDB-PA), pretende alterar a Lei nº 6.938/1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), para incluir fontes de financiamento destinadas à implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).

De acordo com a proposta, constituirão fontes de financiamento os Fundos Nacionais sobre Mudança do Clima, de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Florestal, o Fundo Social e outros fundos voltados às finalidades da PNMA; recursos oriundos de acordos bilaterais ou multilaterais sobre clima envolvendo a União ou os estados; compromissos nacionais e internacionais de financiamento de ações de mitigação; recursos provenientes de ajustes, contratos de gestão e convênios com órgãos públicos; além de doações de entidades nacionais e internacionais, públicas ou privadas, e investimentos privados.

Como destaca o autor da proposta, passados mais de 45 anos da edição da PNMA, que prevê o zoneamento ambiental como um de seus instrumentos, e apesar de muitos estados já possuírem ZEEs concluídos para todo o território, sua efetiva incorporação pelas diferentes esferas de governo e pela sociedade ainda representa um grande desafio.

Leia Também:  Cuiabá e Várzea Grande bebem da mesma água. Até quando vão conviver com o lixo?

Isso decorre não apenas da ausência de uma cultura de planejamento integrado no Brasil, mas também da reduzida elaboração de planos de ação voltados à implementação das diretrizes estabelecidas, da insuficiente divulgação das informações produzidas e da falta de indicadores de monitoramento e avaliação que permitam medir a efetividade do instrumento.

Com foco no desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal, o senador Jader Barbalho entende que a garantia de recursos para a implementação do ZEE poderá gerar oportunidades de emprego e renda para milhares de famílias da região, permitindo que os municípios desenvolvam instrumentos voltados à mineração, turismo, pecuária e preservação ambiental, entre outras atividades.

Segundo ele, para superar a visão equivocada de que a Amazônia é um território homogêneo, é necessário estimular a realização do zoneamento, identificando corretamente as características de cada área e estabelecendo formas adequadas de uso e exploração, conciliando a preservação da floresta com as necessidades das populações que nela vivem. A implementação do ZEE também favoreceria a criação de políticas de crédito e incentivos fiscais capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico e social aliado à conservação ambiental.

Por outro lado, estudos recentes apontam sua baixa efetividade como instrumento de política ambiental, em razão da descaracterização do ZEE como plano de desenvolvimento e da predominância de diretrizes meramente indicativas, resultado da falta de vontade política para aprovar restrições às atividades produtivas.

Leia Também:  Como resolver a falta de água em Várzea Grande

Também se observa, em muitos estados, a ausência de estrutura institucional e de governança adequada, bem como a reduzida aplicação prática das regras estabelecidas, inclusive dentro da própria Administração Pública, mesmo nos casos em que o zoneamento possui caráter vinculante.

Assim, paralelamente à importante iniciativa de estabelecer fontes de financiamento para o ZEE na Política Nacional do Meio Ambiente, é urgente retomar as discussões sobre sua regulamentação por meio de lei federal e restabelecer a Comissão Coordenadora do ZEE do Território Nacional (CCZEE) e o Consórcio ZEE-Brasil, órgãos fundamentais para a elaboração e implementação desse instrumento no país. Essas medidas são essenciais para que o ZEE volte a desempenhar papel efetivo na orientação do uso dos recursos naturais, respeitando também os modos de vida tradicionais.

Alexandre Luís Cesar é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Mato Grosso – IHGMT, Procurador do Estado e Professor Associado da UFMT

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza