No vaivém das realizações da vida, muitas vezes agimos como se a existência fosse infinita. Por isso, há tantas pessoas livres por fora, mas aprisionadas por dentro — reféns da rotina, do cansaço emocional e das disputas desnecessárias que consomem suas energias. Guardam sentimentos represados, acumulando angústias nas regiões mais sensíveis da alma e do pensamento. Esqueceram-se de viver com leveza.
É preciso desapegar-se das psicoses modernas e aprender a caminhar com serenidade. Aceitar os percalços da jornada e compreender que a vida é construída pelas ousadias que temos coragem de realizar. Quem se recusa a mudar de rota, a enxergar além da superfície ou a renovar as próprias atitudes acaba sendo governado por impulsos descontrolados e pelos limites que criou para si mesmo.
Acredite: não existe hora certa ou errada para viver. Ninguém habita o futuro, e o passado não passa de páginas já viradas. O que realmente nos pertence é o agora. E, embora não possamos controlar totalmente o tempo presente, uma parte dele está, sim, em nossas mãos, esperando pelas escolhas que decidirmos fazer.
A vida oferece caminhos únicos a cada um de nós. Diante de tantas possibilidades, é natural buscarmos semelhanças com os passos daqueles que aparentam viver em constante felicidade. No entanto, cada destino é singular, e o resultado da nossa caminhada será sempre consequência direta do nosso empenho. O sucesso e o fracasso nascem, quase sempre, das sementes que plantamos com dedicação, perseverança e responsabilidade.
Muitos, dominados pela impaciência, vivem como se o mundo terminasse ao final de cada dia, sem perceber que os grandes resultados jamais chegam apressados. Eles amadurecem silenciosamente, no ritmo do tempo, da disciplina e da perseverança. Por isso, nem sempre conseguimos caminhar no mesmo compasso daqueles que o destino colocou ao nosso lado. Ainda assim, quando acreditamos em nós mesmos, descobrimos uma força capaz de sustentar até aquilo que parecia impossível suportar.
Todos os dias recebemos a nossa porção de felicidade. Mas, ao lado dela, chegam também os desafios, os mistérios e as provações. É importante compreender que vitórias conquistadas sem esforço raramente são valorizadas. As pequenas dores da existência, embora difíceis, educam o espírito, fortalecem o caráter e ampliam a nossa capacidade de compreender a vida.
Há pessoas que reclamam de tudo, inclusive dos momentos de paz. Desconfiam até das próprias bênçãos e procuram imperfeições nos dias mais tranquilos, apenas para confirmar que a perfeição não existe. E, de fato, ela não existe. Entretanto, a felicidade não depende da perfeição, mas da maneira como administramos nossa satisfação diante daquilo que já possuímos. Quando deixamos de valorizar o essencial, a vida perde o brilho e o sentido.
O segredo está em manter o amor aceso, mesmo quando a esperança parece enfraquecida. Está em ressuscitar os sonhos quando tudo parece perdido e em continuar acreditando que sempre haverá um novo amanhecer para quem não desiste de viver.
Porque, no final, todos os impérios materiais são passageiros. Tudo passa. Permanecem apenas as marcas do bem que espalhamos, os afetos que cultivamos e a paz que construímos dentro de nós. A verdadeira felicidade habita as coisas simples, e para encontrá-la basta permitir que os olhos do coração enxerguem aquilo que a pressa da vida insiste em esconder.
Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
























