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OPERAÇÃO HERMES

MPF diz que Mauro Mendes cometeu crimes em garimpos de Mato Grosso

Segundo a Polícia Federal, os garimpos de Mauro Mendes e da família dele foram beneficiados pelo contrabando de mercúrio.

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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou indícios de que o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), seria sócio oculto da empresa Mineração Aricá Ltda, alvo central de investigações da Operação Hermes. O MPF também aponta que o ex-governador teria cometido crimes no exercício do cargo. Sua esposa, Virgínia Mendes, atual candidata a deputada federal, também é citada pelo MPF. As informações constam em documento obtido pela reportagem do PNB Online. 

De acordo com o órgão ministerial, a participação de Mendes na mineradora ocorreria por meio da empresa Maney Participações Ltda, da qual ele é sócio desde agosto de 2017 e que deteve 40% das cotas da Aricá entre os anos de 2011 e 2020.

As alegações do MPF decorrem da Operação Hermes, que identificou contrabando de mercúrio para garimpos em Mato Grosso e no norte do país. Segundo a Polícia Federal, os garimpos de Mauro Mendes e de sua família foram beneficiados pelo contrabando.

“Há, portanto, indicativos importantes de que a Mineração Aricá é uma empresa que pertence também a Mauro Mendes, pessoa que detinha, na época dos fatos, a função de governador, e concomitantemente visitava o garimpo referido, demonstrando possível cometimento dos delitos no exercício do cargo eletivo”, diz trecho do documento.

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Conforme o MPF, as investigações apontam que a estrutura da Mineração Aricá está intrinsecamente ligada ao núcleo familiar do governador. Além de Mauro Mendes, sua esposa, Virginia Mendes, foi sócia da empresa entre 2019 e 2020, e seu filho, Luis Antonio Taveira Mendes, figura formalmente como um dos investigados no processo.

Em decisão tomada em maio deste ano, o juiz Anderson Vioto Silva, do Tribunal Regional da 3ª Região, declinou da investigação para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por conta das alegações, por parte do MPF, de que Mauro Mendes, então com foro privilegiado, figurava como suspeito.

Contrabando de mercúrio

A Operação Hermes descortinou uma organização criminosa transnacional dedicada ao contrabando de mercúrio e fraude em sistemas oficiais para abastecer garimpos ilegais em Mato Grosso e na Amazônia. O esquema era liderado por um homem identificado como A.S.V., apontado como o mentor intelectual e principal executor do grupo, sendo responsável pela coordenação de importações clandestinas vindas da Bolívia e da China.

A organização operava mediante uma sofisticada rede de empresas de fachada, utilizadas para inserir dados falsos nos sistemas do Ibama (CTF/APP e Relatório de Mercúrio Metálico). O objetivo era “esquentar” o mercúrio trazido ilegalmente ao Brasil, conferindo-lhe aparência de licitude antes da venda para garimpos situados em Mato Grosso e no Norte do país.

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Devido aos crimes apontados, que incluem danos ambientais coletivos e à saúde pública, o MPF  pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 1,5 bilhão para reparação dos danos causados pela organização.

Outro lado

A reportagem do PNB Online entrou em contato com a assessoria de Mauro Mendes para se pronunciar sobre o caso. Até a publicação desta matéria, no entanto, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

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