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Alta Floresta terá primeiro censo de primatas para avaliar população de macacos no perímetro urbano

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Alta Floresta terá o primeiro censo de primatas para avaliar a população de macacos existente no perímetro urbano. A cidade, no norte de Mato Grosso, mantém grandes fragmentos de floresta amazônica nativa dentro da área urbana, o que sustenta uma grande população de primatas e outros animais da fauna da Amazônia. Os macacos interagem com a população e podem ser avistados nas ruas, nos bairros e até no comércio.

O levantamento, realizado pelo projeto Reconecta em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), já foi concluído neste ano e está em fase de avaliação dos dados. A proposta é que o censo seja realizado e entregue todos os anos.

O censo percorreu quatro fragmentos florestais urbanos e peri-urbanos: Reserva Surucuá, Fazenda Anacã, Parque Zoobotânico e Refúgio dos Padres. Em cada área, o trabalho durou cinco dias. A equipe usou duas metodologias: transecto linear e drone com câmera térmica. No transecto, os pesquisadores percorrem as trilhas devagar, com botas, para não fazer barulho e não atrapalhar a detecção dos animais e de suas vocalizações. O drone térmico identifica o calor dos animais durante o sobrevoo das áreas florestais.

O levantamento, realizado neste ano pelo Projeto Reconecta em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), já foi concluído e encontra-se em fase de análise dos dados. A colaboração com a UFV ocorre por meio do Prof. Dr. Fabiano Melo, especialista reconhecido nacional e internacionalmente pelo uso de drones termais em pesquisas com primatas.

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Luan Goebel, biólogo, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisador associado ao Instituto Reconecta, explica o que é observado em cada área: quais espécies de primatas estão presentes nos fragmentos florestais, quantos indivíduos existem, do que os animais estão se alimentando e quais são os seus comportamentos. Cada encontro com um grupo de macacos vira registro com hora, espécie, distância da trilha, atividade e coordenadas geográficas. “Essas informações são fundamentais para conhecermos melhor o tamanho, a distribuição e a situação dessas populações nos fragmentos florestais do município”, diz o pesquisador.

As seis espécies de primatas previstas para a região foram registradas nas áreas amostradas: bugio-vermelho (Alouatta puruensis), macaco-aranha (Ateles chamek), macaco-prego (Sapajus apella), mico-de-Schneider (Mico schneideri), macaco-da-noite (Aotus azarae) e zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi).

O resultado será publicado em breve e fara parte de um monitoramento de longo prazo em Alta Floresta. Esses dados poderão apoiar as atividades futuras do programa Alta Floresta Não Atropela.

Além disso, serão compartilhados com a Fazenda Anacã, a Reserva Surucuá (FEC), a Prefeitura de Alta Floresta, o projeto Reconecta e a Unemat. As informações devem orientar a definição de novos pontos para instalação de pontes artificiais, a criação de corredores ecológicos e ações de reflorestamento, além de permitir que estudantes da Unemat continuem acompanhando e monitorando as populações.

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Fernanda Abra, bióloga e coordenadora do projeto Reconecta, afirma que o censo, iniciado em 2026 e repetido nos próximos anos, permitirá entender a dinâmica da população ao longo dos anos com as mudanças da paisagem em Alta Floresta.

A convivência entre macacos e moradores motivou a prefeitura a lançar a campanha “Alta Floresta não alimenta animais silvestres”. A ação orienta a população a não oferecer comida aos primatas. José Alessandro Rodrigues, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, conta que pessoas levavam comida pronta e restos de jantar para os animais. A campanha busca evitar a transmissão de doenças entre animais e humanos e entre animais silvestres e domésticos. Alimentos industrializados, com óleo, sal e açúcar, não fazem parte da dieta dos primatas. “A pessoa não imaginava o tamanho do impacto que estaria causando a longo prazo nesses animais”, diz.

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